Reféns são liberados em Iperó

Os 22 reféns, 20 agentes penitenciários e 2 diretores de área - que estavam em poder dos presos amotinados na Penitenciária Odon Ramos Maranhão, em Iperó, São Paulo - foram libertados no início da noite desta segunda, após a invasão do presídio pela Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo. A operação deixou um saldo de pelo menos 22 feridos - 15 presos e 7 agentes.Pelo menos 6 agentes estavam com ferimentos produzidos por agressões e balas de borracha e foram atendidos num pronto-socorro da cidade. Outro agente, com fratura exposta nas duas pernas, ficou internado no Hospital Regional de Sorocaba. Os presos também foram atendidos nesse hospital.Muitos funcionários saíram da penitenciária em estado de choque, em razão das ameaças e do risco da operação. Eles acabaram sendo vítimas das bombas de efeito moral lançadas contra os amotinados e dos disparos com balas de borracha feitos pelos policiais. A PM usou também um helicóptero na ação. Um agente reclamou ter sido confundido com preso e atingido com golpes de cassetete.No início da noite, a PM continuava ocupando o presídio, que estava parcialmente destruído. Tivera início o trabalho de recolhimento dos presos nas celas e de revista dos rebelados. Não havia informações sobre presos feridos. O agente que fraturou a perna tinha saltado de um muro para escapar dos presos que buscavam mais reféns. A advogada Clara Maria Martins, mulher de um preso, disse que muitos detentos tinham sido agredidos pelos policiais durante a invasão. "Eles entraram jogando bombas e batendo." Segundo ela, a operação foi de alto risco. "Muitos podiam ter morrido."Pelo telefoneAntes da entrada da PM, um preso deu entrevista através de celular protestando contra os maus tratos de funcionários a detentos e contra as revistas consideradas humilhantes. A rebelião agitou o bairro do Horto Florestal, onde se localiza o presídio. O prédio foi construído no meio de um assentamento de sem-terra. É lá que a assentada Nair do Espírito Santo, de 65 anos, vive com a família a 100 metros da muralha. "Vivo sempre em agonia, pedindo a Deus que me dê condições para sair daqui."Enquanto Nair concedia a entrevista, seus netos divertiam-se com os rasantes do helicóptero da Polícia Militar e a movimentação dos amotinados sobre as caixas d´água e o telhado da penitenciária. "Olha o meu time lá", dizia Rodrigo, apontando uma bandeira do Corinthians, dependurada ao lado de outra do São Paulo. Os presos também abriram uma faixa, onde se lia "paz". A Secretaria de Administração Penitenciária informou que as causas da rebelião serão apuradas. E o prédio vai passar por vistoria técnica nesta terça.A assessoria de imprensa não soube informar quem ordenou a invasão, mas a operação foi considerada bem sucedida, pois os reféns foram libertados ilesos.

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