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Reféns são libertados no PR; presos são transferidos

Depois de 143 horas de rebelião, exatamente às 16h20 os últimos nove reféns deixaram a Penitenciária Central do Estado do Paraná (PCE), em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, pondo fim à mais longa revolta já ocorrida no Estado. Os 23 líderes da rebelião foram transferidos para os Estados que escolheram. Durante o movimento, morreram um refém e três presos. Outros dois presos ficaram feridos, depois de cair de uma laje.O diretor do Departamento Penitenciário (Depen), Pedro Marcondes, mostrou satisfação pelo fim da rebelião, que tomou a atenção das autoridades durante seis dias. "Não agregamos nenhum aspecto negativo, com exceção do que ocorreu no início da rebelião", disse. "Depois disso não houve nenhuma morte." Os últimos reféns trouxeram três pistolas, um revólver, uma granada e duas bombas caseiras, que foram usados pelos líderes da rebelião. A PM está fazendo uma vistoria procurando mais armas. As negociações finais foram comandadas pela Polícia Militar. "Vamos negociar, senão teremos de entrar", foi o ultimato dado pelo chefe do Estado Maior do Comando do Policiamento da Capital, tenente-coronel Nelson Carnieri. Quase no mesmo horário em que o secretário de Segurança Pública, José Tavares, dava entrevista na Secretaria, falando da possibilidade iminente de invasão da PCE pela Polícia Militar, na penitenciária já corria informações de que a rebelião tinha terminado.Pela manhã, os presos receberam um ofício assinado pelo ministro da Justiça, José Gregori, garantindo a integridade física deles. "A carta foi o último item, absolutamente importante", disse o diretor do Depen. Segundo ele, os presos recuaram em algumas exigências, como a de somente libertar os reféns depois que chegassem aos locais de destino.Negociou-se que, dos 21 que permaneciam com eles - no início da rebelião foram 26, mas Luciano Aparecido Amâncio foi morto, três libertados segunda-feira e outro por volta do meio-dia de hoje -, 12 seriam libertados imediatamente, e o restante duas horas depois que os presos tivessem deixado o presídio. Os 13 presos de São Paulo seguiram em camburão, do mesmo modo que os quatro de Santa Catarina. Foram de avião os quatro de Mato Grosso do Sul, um do Amazonas e um do Pará.Na manhã de hoje, a movimentação policial era maior do lado externo da PCE. Várias viaturas da Tropa de Choque chegavam, dando a impressão de que poderia haver invasão. Por volta das 13 horas, a advogada Kely Bueno, que representa alguns dos presos, dava a informação de que a rebelião acabara. Às 13h30, a PM autorizou a entrada da imprensa em um dos pátios internos da PCE.Quarenta minutos depois, os líderes começaram a sair. O primeiro foi José Márcio Felício, o Geléia, também principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Atrás dele veio César Augusto Roriz da Silva, considerado o mentor intelectual do PCC. Quando eles saíram, os 12 reféns já tinham sido liberados. Eles não conversaram com os repórteres. Abatidos, apenas disseram que estava tudo bem.Os outros nove saíram duas horas depois, conforme o combinado, trazendo as armas que foram usadas na rebelião. Logo depois, a polícia entrou na penitenciária para fazer uma vistoria. Enquanto isso, o Instituto Médico Legal retirava os corpos que ficaram até a noite de ontem em uma geladeira. Dois dos presos, os que foram mortos a mando do PCC, estavam com as cabeças decapitadas e colocadas sobre o abdome. Os presos ainda não foram identificados oficialmente.O diretor do Depen disse que será aberto um inquérito para investigar o motivo de Felício ter sido colocado no convívio com os outros presos logo após ter chegado à penitenciária. "Queremos ver se houve negligência", disse. Segundo ele, a responsabilidade dentro da PCE é individual. "Quem tiver culpa será punido", afirmou.

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