Referências repetidas a Lula dão mostra de lealdade

Foram 92 discursos como presidente da República. Depois de "Brasil", a palavra mais repetida por José Alencar durante seu período de interinidade foi "presidente", usado como sinônimo ou em conjunto com "Lula". É uma prova da lealdade do vice a seu companheiro de chapa.

José Roberto de Toledo e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

30 Março 2011 | 00h00

A análise do discurso de Alencar como presidente deixa claro que a dobradinha do empresário com o sindicalista perdurou desde 2002 até ontem. Ela começou na primeira eleição de Lula, para tornar o petista mais palatável a uma camada do eleitorado que o via como uma ameaça ao capitalismo.

Nada melhor do que se associar a um dos maiores empresários do Brasil para afastar esse temor. Mas a convivência acabou superando a conveniência. Alencar e Lula se identificaram e se tornaram amigos sinceros, algo raro na política.

Mesmo as repetidas referências à alta "taxa" de "juros" (duas das palavras mais ditas por Alencar), interpretadas como estranhamento entre vice e presidente, eram combinadas com Lula. Ele funcionavam como um canal de pressão sobre o Banco Central. O vice dava o recado e Lula ficava como árbitro.

A soma das falas de Alencar deixa evidente seu ideário desenvolvimentista e nacionalista. "Desenvolvimento", "nacional", "economia" e "Brasil" estão entre os termos mais repetidos. Não por acaso, "Minas" foi o local que mais citou. O mineiro nunca esqueceu as raízes e quando recebia visitas no gabinete, sempre oferecia pão de queijo e café fraquinho.

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