Wilton Junior/Estadão
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Reflorestamento da área atingida pelo desastre de Brumadinho é 8% do que Vale prometeu

Mineradora diz que animais silvestres já voltam à região; rompimento de Córrego do Feijão faz três anos nesta terça, 25

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2022 | 10h00

Passados três anos do rompimento da barragem da mina de Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), ocorrida em 25 de janeiro de 2019, o trabalho de reflorestamento da região avança lentamente. Dos 297 hectares de áreas impactadas, sendo 146 de florestas, apenas 23 hectares, incluindo áreas protegidas como reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APP), foram recuperados. O trabalho representa 8% do total, segundo dados da Vale. Foram plantadas cerca de 30 mil mudas de espécies nativas da região.

A previsão da Vale é que a área afetada seja recuperada dentro de dez anos. Segundo a mineradora, o plantio de mudas é uma das últimas etapas de recuperação ambiental. Antes de iniciar o plantio, é necessário que o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais libere a área. A corporação segue em busca de seis corpos desaparecidos no mar de lama do acidente. Além dessas vítimas, a tragédia deixou 264 mortos.

“Continuamos empenhados nas buscas. Essa é a nossa prioridade, algo muito importante para as famílias e para a empresa. A recuperação ambiental avança à medida que o Corpo de Bombeiros vai liberando as áreas. Acreditamos que todo este processo pode ser acelerado com a nova estratégia de buscas, com novos equipamentos”, afirma Marcelo Klein, diretor especial de Reparação e Desenvolvimento da Vale.

Segundo a empresa, foram coletados cerca de 600 quilos de frutos e sementes de 80 espécies diferentes para o reflorestamento, resultando em 200 mil mudas produzidas. A empresa afirma que um importante indicador do avanço das ações ambientais é o registro, por meio de câmeras de calor e movimento, da movimentação de animais silvestres. Afugentados pelo rompimento da barragem, ao bichos estão voltando - de tamanduás a onça pardas.

Com o avanço aos poucos do replantio, a recuperação da qualidade da água do rio Paraopeba, atingido por rejeitos de Brumadinho, também demora. A avaliação é da Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (Aedas), uma das consultorias técnicas contratadas para monitorar a região. O consumo da água do rio não é recomendado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam). Trata-se de uma medida preventiva.

A advogada Ísis Táboas, da coordenação da Aedas em Brumadinho, explica que a assessoria fez 200 coletas de água no rio no ano passado. Foram identificados metais pesados, como ferro e manganês, em níveis acima dos permitido. Essas substâncias podem provocar doenças neurológicas e de pele. O resultado corrobora o identificado pelo Igam desde Brumadinho até o limite da usina hidrelétrica de Retiro Baixo, em Pompéu.

Ísis lembra que a Vale assumiu a obrigação de enviar água potável por caminhões pipa para parte dos moradores da região, mas existem constantes queixas sobre essa quantidade de água. É o caso de Julio Adão Pereira de Souza, 69 anos, aposentado, que vive nas Fazendinhas Baú, em Pompéu. Ele não pode mais usar os poços de água perto do rio e se queixa que não recebe auxílio da mineradora.

“Depois da barragem, não posso usar mais os poços de água próximos ao rio para beber, cozinhar, tomar café. A Copasa (empresa de saneamento) instalou caixas d’água, mas o fornecimento é irregular”, diz Souza. Ele decidiu instalar tambores para coletar água da chuva para o próprio consumo.

“Alguns vizinhos recebem água da Vale, eu não. A gente fica na humilhação de ter que ir, de vez em quando, pedir garrafão de água para eles.”Vale diz que já entregou 1,4 bilhão de litros de água por meio de caminhões-pipa

A Vale informa que tem o compromisso de efetivar soluções para a população impactada pela suspensão da captação de água no rio Paraopeba, de

Brumadinho a Pompéu

A mineradora informa que foram construídas ou reativadas cerca de 40 captações subterrâneas, que contribuíram para disponibilizar mais de 2 bilhões de litros de água. Além disso, outros 1,4 bilhão de litros de água potável já foram entregues por meio de caminhões-pipa.

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