Reforço pode ajudar a tirar frota irregular das ruas

Especialistas em engenharia de trânsito fizeram uma ressalva na criação do Programa de Policiamento de Trânsito: a missão de melhorar a fluidez do trânsito e combater a criminalidade deve ser acompanhada por rigorosa ação de fiscalização dos documentos dos veículos e de condutores. "O esforço é positivo, mas deve ser aprimorado. Após a extinção do CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito), criou-se um vazio na fiscalização das condições dos veículos, sua documentação e dos motoristas. O agente da CET (Companhia de Engenharia de Trânsito) não tem atribuição legal para fiscalizar o veículo ou o condutor, só atuando em algumas infrações de trânsito", afirma Flamínio Fichmann, consultor de engenharia de tráfego. Fichmann estima que um terço da frota na capital rode em condições irregulares de documentação, seja do veículo ou do condutor. "A fiscalização intensiva reduziria a poluição, melhoraria a fluidez ao retirar os veículos velhos e sem licenciamento e ajudaria na prevenção de acidentes", afirma. Para o engenheiro Francisco Moreno Neto, ex-gerente de Planejamento e de Engenharia de Tráfego da CET entre 1976 e 1983, a chegada de 1.375 policiais para o Programa de Policiamento de Trânsito terá efeito maior no combate à criminalidade do que em relação ao ganho de fluidez no tráfego. "Quando o trânsito estiver congestionado, eles vão é querer que os veículos andem e não fiquem parados em blitze." Ele ressaltou que pretende aguardar o início das operações por "duvidar" que os policiais indicados para atuar nos 1.011 pontos façam efetivamente uma fiscalização do estado de conservação dos veículos e de sua documentação. Para Horácio Augusto Figueira, consultor em trânsito e transporte, a volta dos policiais ao trânsito é uma excelente notícia. "A CET não tem quadro suficiente para atuar na cidade", afirma.

Alexssander Soares e Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

26 Setembro 2007 | 00h00

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