Reformas em favelas viabilizarão serviços, diz Cabral

Para ocorrer tais mudanças nas comunidades serão usados recursos do PAC

Agencia Estado

04 Julho 2007 | 17h30

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), disse nesta terça-feira, 3, que as obras de urbanização em favelas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ajudará a mudar a geografia das comunidades dominadas pelo tráfico de drogas e viabilizar a entrada de serviços públicos, inclusive a segurança. O presidente Lula liberou na segunda, no Rio, R$ 2,09 bilhões em investimentos para favelas no Rio. O dinheiro fica disponível a partir de quarta. "Não dá para o serviço público ter dificuldades de acesso, com a população que mora na favela fora do processo legal. A morfologia da favela permite isso. Não entram o Corpo de Bombeiros, a ambulância, o carro de polícia, o serviço de TV a cabo, de Correios", disse o governador. Ele contou que convenceu a ministra Dilma Roussef a trocar pequenos investimentos em várias comunidades pela aplicação concentrada de cerca de R$ 1,1 bilhão em apenas quatro favelas da capital, com o objetivo de ir além de obras superficiais. O Complexo do Alemão, na zona norte, onde a polícia trava batalhas quase diárias com traficantes há dois meses, receberá R$ 601,7 milhões em obras. A favela de Manguinhos, também na zona norte, terá investimentos de R$ 328,3 milhões. Na zona sul, a Rocinha, que já teve liberada uma primeira parcela de cerca de R$ 70 milhões, receberá mais R$ 110 milhões. Para o Complexo do Pavão/Cantagalo, entre Copacabana e Ipanema, irão R$ 35 milhões. Efetivo Cabral admitiu que sua polícia não tem efetivo suficiente para se manter presente no Complexo do Alemão e controlar totalmente a entrada e saída de armas, mas salientou que o cerco inibe as atividades dos traficantes. "Eles (os policiais) continuam lá, mas não na mesma quantidade. O problema é que não temos o efetivo suficiente para suprir todas as nossas demandas", afirmou. O governador voltou a elogiar a operação da semana passada que envolveu 1.300 policiais e terminou com 19 mortos. Ele disse ser parte da sociedade democrática a atuação de organizações de defesa dos direitos humanos, mas ressaltou poder garantir que a polícia agiu "absolutamente dentro da lei no combate à criminalidade". "Vamos repetir essa operação em várias comunidades, podem estar certos, mas sempre requerendo planejamento e estratégia", avisou. O governador disse ter ido buscar na Colômbia boa parte da inspiração de sua política de enfrentamento armado do crime combinado com intervenções sociais e urbanísticas em favelas. "Vi na Colômbia que eles conseguiram vencer essa luta exatamente com a combinação de segurança pública e investimentos de infra-estrutura", afirmou, ressaltando que o PIB daquele país, que visitou no início do ano, é menor do que o do Estado do Rio. Prefeito O prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), que não foi à cerimônia de lançamento dos investimentos do PAC no Estado, fez críticas aos projetos, apontando a falta de um plano consistente de transporte de massa e subsídios à habitação popular. Em sua newsletter nesta terça, ele afirmou que "as promessas bilionárias" de Lula com recursos do PAC têm como alvo as regiões metropolitanas do Sudeste, onde o presidente tem a pior avaliação. No entanto, o prefeito reconheceu que será bom para a região se as promessas forem cumpridas.

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