Reformas ficam fora da lista de prioridades

O governo não pretende patrocinar reformas que possam comprometer o desenvolvimento de medidas que considere essenciais em curto prazo, como a desoneração de impostos da folha das empresas.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2011 | 00h00

A prioridade do Palácio do Planalto neste momento é qualificar mão de obra técnica em curto prazo, com o apoio do Sistema S (Senai, Sesi, Senac, etc), que pode atender à demanda de mercado e, ao mesmo tempo, representar uma porta de saída para os beneficiários do programa Bolsa Família.

A presidente Dilma Rousseff já disse a mais de um interlocutor de sua confiança que não quer se envolver com qualquer reforma que implique alto custo político e que imponha grande desperdício de energia.

Ela já citou a reforma da Previdência nesse contexto. Não pretende promovê-la, segundo integrantes do governo. No mesmo contexto se insere a reforma política, cujas medidas pontuais de consenso devem ser promovidas pelo próprio Congresso.

A reforma tributária mobilizará o governo, mas a presidente a defende de forma gradual, trabalhando aquilo que é mais fácil de conseguir consenso e isolando os pontos mais complexos e de difícil acordo, como a questão da cobrança do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Ela está especialmente empenhada em dar forma à promessa de campanha de desonerar a folha salarial das empresas em favor de mais facilidade nas contratações e, por consequência, mais empregos.

Na campanha eleitoral, no entanto, a então candidata Dilma prometeu reforma tributária e também a política. No segundo caso, chegou até a defender o polêmico voto em lista, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Por esse sistema, o eleitor não vota em um candidato nas eleições proporcionais, mas em uma lista composta pelo partido político.

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