Reformas retiram camelôs da 25

GCM, PM e CET fazem operação conjunta, mas ambulantes ainda ocupam ruas da região

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

05 de maio de 2009 | 00h00

A Rua 25 de Março amanheceu ontem com a presença ostensiva da Polícia Militar, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Isso e a transferência de 74 ambulantes com Termos de Permissão de Uso (TPUs) afastaram os camelôs irregulares da principal rua do comércio popular de São Paulo. Mas vendedores irregulares e legalizados ainda vendiam livremente as mercadorias nas ruas adjacentes, como a Ladeira Porto Geral. "Enquanto não pegam a gente, ficamos por aqui", disse um ambulante sem TPU na Rua Lucrécia Leme, transversal da 25. Na esquina da via com a Comendador Abdo Schahin havia pelo menos dez camelôs atuando livremente, mesmo com a presença da PM e da GCM. Para driblar a fiscalização, recolhiam as mercadorias quando notavam a presença da guarda e montavam as barracas logo após a sua passagem.Para a operação específica na Rua 25 de Março, mais de cem agentes, entre PMs, GCMs e funcionários da Subprefeitura da Sé, foram deslocados para a via. O objetivo era impedir que ambulantes montassem barracas nas calçadas e coibir outras irregularidades, como infrações de trânsito.Apesar de os camelôs atuarem na via mesmo com a presença da polícia, a circulação de pedestres nas calçadas da Rua 25 de Março ocorria sem interferências, depois da retirada dos 74 ambulantes legalizados pela Coordenadoria das Subprefeituras. Eles foram transferidos para um bolsão na Praça Coronel Fernando Costa por um prazo de cem dias, para execução de obras de conservação da rede de drenagem da via.A decisão sobre a mudança dos camelôs legalizados foi publicada no Diário Oficial da Cidade de quinta-feira. A mudança não agradou aos ambulantes. A maioria é idosa ou possui algum tipo de deficiência física. "O bolsão não tem movimento. A área é cheia de moradores de rua", reclamou um deles, que trabalha há 13 anos na 25 de Março e preferiu não ser identificado. "Não é justo a gente ter de mudar de ponto e a Prefeitura deixar os outros trabalhando nas vias paralelas", reclamou Félix Flores, de 72 anos, que atua há quatro na 25.Mas a alteração agradou tanto aos lojistas quanto aos consumidores. "Todo mundo sofria com a presença deles (ambulantes)", afirmou o comerciante Alexandre Navarro. E quem foi fazer compras se surpreendeu com o trânsito livre das calçadas. "Nem parece que estamos na 25", disse a dona de casa Maria das Neves Reis, de 52 anos. "Antes, era infernal porque as barracas ficavam nas calçadas e as pessoas tinham de andar pela rua, travando o trânsito." REFORMASA reportagem questionou a GCM sobre a presença de ambulantes nas vias adjacentes à 25 de Março, mas não obteve retorno. A Coordenadoria das Subprefeituras informou que toda a fiscalização cabia à Guarda Civil e apenas iniciou os serviços na rede de drenagem. No total, 25 proprietários serão notificados, a partir de amanhã, para arrumarem os passeios públicos - num prazo de 30 dias. Caso não deixem as calçadas acessíveis, será aplicada multa de R$ 200 por metro linear de calçamento danificado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.