Região Norte é carente de shoppings

Amapá e Roraima ainda não têm empreendimentos; McDonald's avalia loja em local no Rio Branco

Vivian Pereira, Reuters

08 de dezembro de 2011 | 19h20

RIO BRANCO - O Acre recebeu seu primeiro shopping center há cerca de 1 mês, mas ainda há dois Estados brasileiros sem ter um empreendimento comercial desse tipo: Amapá e Roraima.

A relativa demora para inauguração de um shopping center em uma capital parece contraditória quando se olha para os números do setor. A cada ano, são inaugurados entre 13 e 15 shoppings no Brasil, mas é a região Sudeste que recebe a maior parte desses investimentos, liderada por São Paulo, com 141 empreendimentos em operação.

Dos 421 shoppings abertos no Brasil, a região Norte responde por apenas 15 deles, sendo que Amazonas e Pará têm a maior concentração: seis e cinco, respectivamente. Até o final de 2012, o Norte receberá outros três: no Pará, em Amazonas e o pioneiro no Amapá. Roraima ainda não têm previsão de receber um empreendimento do tipo.

"As administradoras de shoppings fazem estudos de viabilidade, envolvendo a renda da população disponível para consumo. A região Norte tem menos habitantes e está se desenvolvendo agora", disse a superintendente de operações da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Adriana Colloca.

Como os demais Estados do Norte, o Acre tem como característica a forte dependência do governo, visto que boa parte da população local é de funcionários públicos. Isso também é considerado durante as análises de potenciais shoppings, segundo o presidente da Landis Shopping Centers, Dorival Regini, visto que qualquer greve ou atraso em pagamento pode se refletir em retração da demanda.

"Existe muito potencial nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Mas Rio Branco, por exemplo, não deve ganhar um segundo shopping tão cedo. Ainda deve levar de cinco a seis anos, por questão de espaço e dificuldade de levar mais lojas-âncora", ponderou o executivo.

A Landis, responsável pelo Via Verde Shopping na cidade de Rio Branco, planeja lançar em 2012 um empreendimento no Centro-Oeste, "em uma cidade média", que é o foco da empresa.

Mão de obra. Segundo o presidente da Landis, o maior desafio no Acre envolveu a falta de mão de obra disponível e de qualidade, problema recorrente da construção civil em todo o país. Por essa razão, algumas lojas no primeiro shopping no Acre -cerca de 40- ainda não estão em funcionamento.

Conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito em 2010, 15,2 por cento da população do Acre, que é de pouco mais de 700 mil habitantes, é analfabeta, o décimo maior nível nacional.

Uma das encarregadas de limpeza do Via Verde Shopping, Rose Martins Teles, comemora ter conseguido um emprego e já planeja retomar os estudos. "Estou tomando coragem para fazer o ensino médio".

A localização do Estado também exigiu que as questões logísticas fossem extremamente bem planejadas. "Como o Estado produz muito pouco, quase a totalidade dos materiais foram levados do Sudeste", disse Regini, citando ainda o período de chuvas de novembro a março como fator que dificultou as obras.

A questão da logística também dificultou a negociação com algumas companhias como o Mc Donald's, que não possui até hoje lojas no Acre, em Roraima e no Amapá.

"Continuamos tentando convencê-los de que não terão problemas de logística", disse Regini, referindo-se à indefinição quanto à instalação de uma loja da rede na praça de alimentação do Via Verde Shopping, conforme previsto no projeto inicial do empreendimento.

O Mc Donald's informou que ainda está avaliando se terá uma loja no shopping, sem prazo para uma decisão.

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