Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

AO VIVO

Acompanhe notícias do coronavírus em tempo real

Regiões de Ouro Preto e Nova Lima são evacuadas por risco em barragem da Vale

Segundo a empresa, 125 pessoas estão sendo retiradas de casa nas proximidades das barragens Vargem Grande, Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo

Renata Batista e Leonardo Augusto, especial para O Estado

20 de fevereiro de 2019 | 10h55

SÃO PAULO E BELO HORIZONTE - Cerca de 125 moradores de regiões próximas a barragens da Vale em Ouro Preto e Nova Lima, respectivamente na região central e metropolitana de Minas Gerais, começaram a ser retirados de casas por risco de rompimento de represas nesta quarta-feira, 20. As informações iniciais são que o nível de segurança das estruturas foi elevado para 2, o que significa necessidade de imediata evacuação.

Em 12 dias, sobe para quatro o número de comunidades próximas a barragens de minério cuja população teve de ser retirada de casa. As outras ficam também em Nova Lima e em Barão de Cocais.

Em Nova Lima, a remoção abrange moradores de 33 domicílios, com cerca de 100 residentes permanentes,  em uma região localizada a 52 quilômetros da sede da cidade. Já em Ouro Preto, a remoção abrange oito domicílios, com cerca de 25 moradores, na área rural da cidade, a aproximadamente 15 quilômetros da localidade de Engenheiro Correia.

A Vale informou que a desocupação ocorre na Zona de Autossalvamento (ZAS) das barragens Vargem Grande, do Complexo Vargem Grande, em Nova Lima; e Forquilha I, II e III e Grupo, na Mina Fábrica, em Ouro Preto. As Zonas de Autossalvamento (ZAS) são aquelas que, de acordo com os especialistas, são mais rapidamente atingidas pela lama em caso de rompimento das barragens.

Desde a tragédia de Brumadinho, que deixou ao menos 169 mortos e 141 desaparecidos, a empresa já removeu, com o auxílio da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, moradores e empresas de ZAS de cinco barragens. Restam três das oito que figuram como de maior risco ao lado das de Brumadinho nos relatórios de risco da empresa, que foram anexados pelo Ministério Público na Ação Civil Pública (ACP) contra a empresa: Menezes II, em Brumadinho, e Capitão do Mato e Taquaras, em Nova Lima.

O Broadcast questionou a empresa a respeito das áreas de risco dessas três estruturas, mas ainda não obteve resposta. De acordo com a empresa, não houve alteração nos parâmetros geotécnicos de nenhuma das estruturas, mas a decisão envolve outros fatores além dos riscos de morte em caso de rompimento. Do ponto de vista legal e regulatório, empresas responsáveis pela certificação das barragens, como a própria TüV Süd, que atuava em Córrego do Feijão, estão se recusando a auditar as barragens, o que aumenta o risco para a empresa e seus gestores.

No domingo, após determinar a desocupação da ZAS da barragem de B3/B4 no sábado à noite, a Vale informou que fará a remoção de pessoas ou evacuação emergencial imediatamente, caso haja necessidade. Até agora, a empresa também não informou qual será o procedimento de indenização ou compra das propriedades nessas regiões, onde também funcionam pousadas e estabelecimentos comerciais.

Em comunicado, a empresa afirma que a decisão dá "continuidade ao processo de descomissionamento da barragem a montante de Vargem Grande", anunciado em 4 de fevereiro, e  que tomou a "decisão de paralisação temporária das operações do Complexo de Vargem Grande". "A Vale coordenará com as autoridades a realocação das pessoas situadas na zona de autossalvamento (ZAS) da referida barragem."

A Vale diz ainda que "iniciou a preparação para realocação das pessoas nas ZAS associadas ao descomissionamento das barragens Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, que fazem parte das dez barragens a montante inativas remanescentes da Vale, conforme o plano de aceleração de descomissionamento anunciado no fato relevante 'Vale anuncia o descomissionamento de todas as suas barragens a montante', do dia 29 de janeiro". A empresa afirma que "cerca de 125 pessoas que vivem próximas às cinco barragens devem deixar suas casas hoje de forma ordenada".

Além disso, a mineradora declarou que vai prestar "toda a assistência e apoio necessários" aos moradores, além de disponibilizar abrigos para animais. "A empresa ressalta que não houve alteração nos parâmetros geotécnicos de nenhuma das estruturas, que estão passando por inspeções diariamente. A Vale ressalta ainda que se trata de uma medida preventiva para garantir a segurança de todos enquanto são realizadas as primeiras atividades de descaracterização das barragens a montante, visando à aceleração dos projetos."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.