Registro mostra visita de policial preso a gabinete

Pena, que estava em cela no presídio da polícia, negou encontro com Malheiros Neto na Secretaria da Segurança em 11 de fevereiro de 2009

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

O investigador Augusto Pena devia estar em uma cela do Presídio Especial da Polícia Civil (PEPC), mas os computadores da Secretaria da Segurança registram que ele esteve no gabinete da pasta, na Rua Líbero Badaró, no centro de São Paulo, em 11 de fevereiro de 2009. O documento diz que ele foi visitar o ex-secretário adjunto Lauro Malheiros Neto, nove meses depois de o adjunto ter deixado o cargo. Como e por que Pena teria saído do PEPC para um encontro em uma das sedes do governo, um dia após o Estado publicar que o preso fez uma delação premiada - se o encontro ocorreu de fato -, é o que os promotores do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) estão apurando.Pena foi ouvido ontem durante três horas e meia pelos promotores e pela Corregedoria da Polícia Civil. Confirmou todas as denúncias que fez. Disse que esteve inúmeras vezes na Secretaria da Segurança em 2007 e 2008 para entregar dinheiro de propina nas mãos de Malheiros Neto, mas negou que tenha saído às escondidas do PEPC para encontrar o ex-adjunto em fevereiro. Apesar da negativa, os promotores não descartam nenhuma possibilidade para explicar o registro da visita. Antes, afirmaram, é preciso apurar. "Vou pagar pelo que fiz e não pelo que os outros fizeram", disse Pena. Ao Estado, Malheiros Neto se disse vítima de armação.A assessoria do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, informou que ele determinou a apuração imediata do caso. Um inquérito policial militar foi aberto na Assessoria Militar da secretaria. Há dois registros de entrada de Pena em 11 de fevereiro: às 7h49 e às 7h56. Não há registro de saída do prédio. Os promotores também querem saber como é que não havia, exceto no backup, registro da passagem de Pena no computador da portaria da secretaria. É cedo para se falar em destruição de provas, dizem os investigadores, mas o aparelho foi apreendido por ordem de Marzagão e mandado para análise no Instituto de Criminalística (IC). Malheiros Neto foi afastado do cargo em maio de 2008, sob a suspeita de beneficiar Pena. A secretaria também enviou ao Gaeco a cópia de certidão do diretor do PEPC garantindo que Pena não se ausentou do presídio em 11 de fevereiro. O policial foi transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé em 27 de fevereiro, porque foi ameaçado de morte no presídio.A ideia de pedir os registros de entrada da secretaria foi tomada em fevereiro pelo Gaeco. Em uma primeira resposta, Marzagão, disse que não havia registro da entrada de Pena no prédio. Três dias depois, uma nova resposta foi dada. Alegando uma revisão do backup dos computadores, Marzagão informou que havia o registro de uma entrada de Pena em 28 de agosto de 2007 para visitar Malheiros Neto. Na época, o suposto esquema de propina do adjunto estaria a todo vapor. Foi achada ainda uma foto de Pena no registro dos visitantes e uma cópia foi enviada ao Gaeco.

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