Regras para a inspeção de motos ficam mais brandas

Combustível adulterado não vai mais reprovar veículos de 2 rodas; mudança foi sugerida por fabricantes

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

A Prefeitura atendeu a um pedido dos fabricantes de veículos de duas rodas e mudou ontem as normas para as motocicletas na inspeção veicular ambiental, deixando o teste menos rígido. Para a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, responsável pela execução do programa, o uso de combustível adulterado estava engrossando o número de reprovações das motos. Essa foi uma conclusão tomada de forma indireta, por meio dos argumentos dos fabricantes. Não há teste da qualidade do combustível na inspeção ambiental.Desde ontem, a Secretaria do Verde descarta o fator de diluição, relativo à queima do combustível, para reprovação. O mesmo fator, porém, continua a valer na inspeção dos carros - não houve alteração na avaliação dos demais veículos. Do início de fevereiro até sexta-feira foram reprovadas 786 das 3.934 motos vistoriadas, ou 20% do total. O porcentual de automóveis reprovados no mesmo período é bem menor: 1,6%."Essa mudança foi uma sugestão da Abraciclo. A garantia da qualidade do combustível não pode ser atribuída ao fabricante nem ao usuário", diz Moacyr Alberto Paes, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O único ponto que pode reprovar motocicletas agora é o fator de concentração dos poluentes - quantidade de monóxido de carbono colocada em circulação. Os fatores de diluição e concentração são obtidos na medição da emissão. A Abraciclo passou a defender que a gasolina adulterada contribuía para reprovações ao cruzar os dados dos dois fatores. Como exemplo, foi usado o caso de uma Drag Star Yamaha, de 650 cilindradas. A moto, ano e modelo 2008, foi reprovada exclusivamente pelo fator ligado à queima de combustível - a concentração de poluentes estava aceitável.Em 2009, além dos veículos a diesel, o programa municipal para regular a emissão de poluentes passou a incluir as 770 mil motos da capital e 1,5 milhão de carros fabricados de 2003 a 2008. "Acho prematuro uma mudança agora por causa de um índice de 20% de reprovações. Não se pode mudar o programa a cada momento", afirma Harley Bueno, diretor de Segurança Veicular da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). VELHINHOSOntem, a Prefeitura convocou mais 17 proprietários de veículos registrados antes de 2003 para a inspeção, por terem sido flagrados poluindo acima do limite estabelecido. Ao todo, 46 pessoas com veículos antigos já foram notificadas neste ano. COLABOROU MARCELO FENERICH

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