Reinaugura-se no Recife a primeira sinagoga das Américas

Com um show reunindo a cantora Fortuna, que busca a comunhão de culturas e religiões diferentes, os monges beneditinos de São Paulo e o Maracatu Nação Pernambuco, será reinaugurada oficialmente, neste domingo à noite, a primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel, na Rua do Bom Jesus, no Bairro do Recife Antigo.A escolha de artistas e grupos tão diversos busca mostrar a importância da tolerância religiosa e cultural. Foi a intolerância religiosa dos portugueses, há 347 anos, que promoveu o fechamento da Kahal Zur Israel e a fuga dos judeus que se haviam refugiado em Pernambuco - escapando da perseguição de portugueses e espanhóis -, no período do domínio holandês, de 1630 a 1654, sob o governo do conde Maurício de Nassau. Com a expulsão dos holandeses, foram também expulsos os judeus.O vice-presidente da República, Marco Maciel, o ministro da Cultura, Francisco Weffort, e o embaixador de Israel, Daniel Gazil, estarão presentes à solenidade. A sinagoga, que funcionou de 1637 a 1654, foi reaberta ao público em dezembro, depois de dois anos em obras de restauração patrocinadas pela Fundação Safra, a um custo de R$ 1,2 milhão, e em parceria com a prefeitura do Recife e o Ministério da Cultura.Na sinagoga, funciona o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, com uma exposição permanente sobre a história da presença judaica no Estado, e também estão expostas, através de vidros, as provas arqueológicas da sua existência, a exemplo dos alicerces do prédio original e o Micvê - o poço e a piscina usados, por mulheres, no ritual de purificação com banho em água corrente.Até à descoberta do Micvê, durante trabalhos de prospecção, a sinagoga tinha existência comprovada apenas de forma documental. O prédio original foi demolido no início do século passado, e o local, usado para os mais variados fins - de culto religioso católico a loja de material elétrico.O ambiente da antiga sinagoga foi reconstituído no primeiro piso, com mobiliários e lustres inspirados nas sinagogas do século XVII, como as de Amsterdam e Curaçao. Mas não serão realizadas cerimônias religiosas no local, que funciona de terça a sábado das 9 horas às 17 horas e aos domingos das 15 horas às 19 horas.Para o presidente da Federação Israelita de Pernambuco, Bóris Berenstein, "a restauração e abertura do prédio resgata um capítulo da história do povo judeu e preenche uma lacuna na história do Brasil, mostrando a pluralidade da etnia brasileira".

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