Reintegração de posse e confronto deixa feridos em SP

Um morador baleado, dois feridos, pelo menos oito policiais militares, entre bombeiros e do policiamento ostensivo de área, da 5ª Companhia do 3º Batalhão, também feridos, alguns hospitalizados. Esse foi o saldo do confronto ocorrido, um pouco depois das 20h30 de ontem, na Rua Barão do Rio da Prata, no bairro de Heliópolis, na zona Sul da capital paulista. Segundo a Polícia Militar, cerca de 40 pessoas ficaram revoltadas contra a reintegração de posse determinada pela Justiça e que deve ocorrer em um terreno da Cohab, ocupado por 370 famílias sem-teto desde o dia 9 de junho último. Uma ordem judicial os obriga a deixar a área até o próximo dia 22.Os manifestantes tombaram e incendiaram um veículo Gol, amarelo, da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e apedrejaram viaturas do policiamento ostensivo e do Corpo de Bombeiros. A manifestação teve início com o bloqueio da rua em frente ao número 185.Pneus foram empilhados e incendiados e a área se transformou numa praça de guerra: moradores com paus e pedras enfrentando policiais armados lançando bombas de efeito moral. Nove viaturas do Corpo de Bombeiros, além de policiais da 5ª Cia do 3º BPMM, da Força Tática e do Gate foram acionados, interditando, inclusive duas avenidas que circudam a favela Heliópolis."Inicialmente fomos até o local com uma viatura só, já que tínhamos a informação de que havia um protesto e fogo em pneus. Quando chegamos lá, os moradores começaram a depredar a viatura. Foi chamado reforço, mais seis viaturas, e um segundo carro da nossa corporação foi apedrejado. Tivemos dois bombeiros feridos, mas sem gravidade. O policiamente militar teve também alguns homens feridos levemente", relatou o capitão Cola, do Corpo de Bombeiros.Por outro lado, os moradores reclamam sobre a ação policial na região. Dizem que os policiais destruíram barracos. "Meu barraco, onde moro com mulher e cinco filhos, foi destruído. Os policiais começaram a jogar as bombas, algumas caíram no telhado do barraco e derrubou tudo. Eu fui ferido com estilhaços das bombas no braço esquerdo", contou Edmar Pereira de Souza."O que deixou os moradores revoltados é que o grupo está aqui desde o dia 9 de junho. É uma área pública e não houve aviso de reintegração. Muita gente, pensando que podia ficar, já gastou dinheiro e construiu casas de alvenaria. Agora têm de sair e abandonar tudo?", desabafou um dos líderes dos moradores, Antonio Carlos Caou.Toda a região em torno do local onde ocorreu o confronto foi liberada pouco depois de meia noite. A área invadida fica atrás do conjunto habitacional da Cohab, em Heliópolis.

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