Reitor relata tortura sofrida no cativeiro em Recife

O reitor da Universidade de Pernambuco, Emanuel Dias, de 53 anos, sofreu maus-tratos, tortura e pressão psicológica nos nove dias que passou nas mãos dos seus seqüestradores.Libertado na madrugada desta quinta-feira, depois de pagamento de resgate, o reitor deu entrevista em que contou o seu suplício, desmentindo a informação inicial do chefe de polícia civil, Aníbal Moura, de que ele não havia sido maltratado.Fios de açoDias permaneceu todo o tempo sentado, amarrado a uma cadeira, em um pequeno banheiro inacabado, cuja área não comportava uma pessoa deitada. No início, teve mãos e pernas amarradas com uma corda. Para aliviar a pressão nos punhos, o reitor tentou afrouxar os nós com os dentes. A iniciativa foi observada pelos seqüestradores através de um pequeno buraco na porta e a partir daí as cordas foram substituídas por fios de aço.Ele também foi amarrado na área do estômago, e seus óculos foram presos na cabeça com fita adesiva que cobria as lentes. Ele não tomou um único banho e só se alimentava de água e pão seco. Somente no domingo, quando as negociações com a família foram fechadas, ele recebeu um barbeador e pôde se limpar um pouco.Refeição únicaTambém o desamarraram e lhe deram um colchonete imundo para se deitar. Fez, ainda, sua única refeição, leve, sem gordura. Com a esperança renovada, escutou dos seqüestradores que passaria mais 15 dias no cativeiro. ?O pior é não saber se se vai sair vivo?, afirmou o reitor, com aparência abatida e marcas nos pulsos.Ele disse ter convivido diariamente com a idéia da morte, mas acalentava a todo momento a possibilidade de sair com vida. Ele não viu o rosto dos seqüestradores em nenhum momento, mas disse que eles tomavam droga, inclusive crack. Falava com a família pelo telefone, a mando dos seqüestradores, mas não lhe permitiam ouvir os familiares.?Fantástico? reencontroEmanuel Dias não informou a quantia do resgate pago, que foi cotizado entre parentes e amigos. Ele considerou ?fantástico? o reencontro com a família e na segunda-feira retorna ao trabalho e à rotina de sempre, sem segurança. O reitor deu a entrevista na UPE, onde várias faixas de boas-vindas e congratulações foram afixadas.Ele foi retirado do seu carro, um BMW, por volta das 18h30 do dia 3 de junho, em Boa Viagem, quando se dirigia para casa em Candeias, no município metropolitano de Jaboatão dos Guararapes. Eram oito homens armados em dois carros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.