Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Relações públicas do Uber é agredido dentro do Senado Federal

Fabio Sabba foi atingido por um soco enquanto concedia entrevista; responsável pelo golpe seria representante de taxistas

Julia Lindner e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 18h57
Atualizado 31 Outubro 2017 | 19h09

BRASÍLIA - O relações públicas do Uber, Fabio Sabba, foi agredido dentro do Senado Federal enquanto concedia uma entrevista na tarde desta terça-feira, 31. Sabba respondia a perguntas de um jornalista no chamado Túnel do Tempo da Casa quando foi atingido por um soco. Ele passa bem. O responsável pela agressão seria representante de taxistas.

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Sabba registrou um boletim de ocorrência na própria delegacia do Senado e foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. A Polícia do Senado informou que ainda não identificou o agressor. Ele teria fugido após o golpe.

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O Uber repudiou a agressão contra o relações públicas da empresa, Fabio Sabba. Por meio de nota, a assessoria do aplicativo de transporte de passageiros afirmou que considera "inaceitável o uso de violência". "Acreditamos que qualquer conflito deve ser administrado pelo debate de ideias entre todas as partes", diz o texto.

"A Uber acredita que todos têm liberdade e autonomia para protestar. No entanto, considera inaceitável o uso de violência e repudia o episódio ocorrido nesta terça-feira, dia 31, no Senado, no qual seu diretor de comunicação, Fabio Sabba, foi violentamente agredido por um representante do grupo de taxistas que fazia ato de protesto no local, enquanto concedia uma entrevista." 

O clima no Senado é tenso desde o início da manhã, quando motoristas de aplicativos e taxistas começaram a chegar ao Senado para acompanhar a votação do PLC 28/2017, que regula a atividade transporte particular por aplicativo. O texto é visto como proibicionista pelos aplicativos, como Uber e Cabify, enquanto que taxistas defendem a proposta como forma de igualar as condições de mercado. 

 

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Em conversas reservadas, governistas admitem que o presidente Michel Temer (PMDB) não quer entrar em conflito nem com os taxistas, nem com os responsáveis pelos aplicativos. Inicialmente, segundo aliados, o objetivo de Temer era deixar o projeto parado nas comissões da Casa.

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Em mais um gesto de distanciamento do Planalto, no entanto, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), acelerou a tramitação da proposta e evitou que ela tivesse que passar por outras cinco comissões, como estava previsto. Para isso, Eunício colocou em votação um requerimento de urgência do projeto para que ganhasse prioridade na pauta de votações do plenário.

Por volta das 19 horas, a matéria era debatida no plenário da Casa. Antes da votação, cinco senadores inscritos falam a favor do tema e outros cinco são contrários ao projeto. Ao longo da tarde, líderes partidários chegaram a um acordo para aprovar o texto com emendas, o que fará com que ele volte a ser analisado pela Câmara dos Deputados, onde foi aprovado em abril.  

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