Relator da ONU recebe dados do governo de São Paulo

Intenção é investigar se houve execução por parte dos policiais durante os ataques do PCC, em maio de 2006

06 de novembro de 2007 | 08h09

O relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston, encontrou-se na segunda-feira, 5, com o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Ronaldo Bretas Marzagão. Alston recebeu informações sobre como são investigadas as denúncias de crimes cometidos por policiais no Estado. O enviado da ONU chegou ao País na sexta-feira, 2, e deve ficar para uma missão de onze dias pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e o Distrito Federal para produzir um relatório sobre os direitos humanos no País e apresentá-lo no Conselho dos Direitos Humanos da ONU.   Participe do fórum e dê a sua opinião    A intenção é investigar supostas execuções durante os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre os dias 12 e 20 de maio de 2006. No domingo, Alston ouviu sobreviventes de chacinas supostamente praticadas por policiais e famílias das vítimas dos chamados "crimes de maio".   Alston não pretende falar com a imprensa até o fim da viagem, "para não emitir uma idéia preconcebida, antes de me encontrar com representantes da sociedade civil, grupos de parentes de vítimas e entidades que representam o governo". E citou o filme Tropa de Elite como exemplo da repercussão que o tema provoca.   Em três horas, o representante da ONU ouviu os relatos e colheu documentação de 20 pessoas, entre sobreviventes e famílias de vítimas. Todas apontam policiais militares como autores dos assassinatos e levaram documentação, como laudos médicos, que indicam que os mortos foram executados e não atingidos em troca de tiros ou por oferecer resistência, como foram registradas essas ocorrências. "Alguém precisava ouvir o que a gente precisava contar, porque até agora nada foi resolvido", disse a mãe de uma vítima.   Um dos casos envolveu um casal, com a mulher grávida de 9 meses e cesariana marcada. Foram executados ao ir buscar leite para outra filha, então com 2 anos de idade. "É minha última esperança, porque até agora não fizeram nada, arquivaram o caso", reclamou a mãe da vítima. "Espero que sirva de alerta, alguma providência tem de ser tomada. O Brasil tem de mostrar o que ele quer da ONU e o que ele tem para oferecer", disse a presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Rose Nogueira, referindo-se à cadeira permanente pleiteada pelo governo brasileiro.

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