Relator livra governo, mas não Airbus e TAM

Sem conclusões sobre a causa do acidente com o avião da TAM, que matou 199 pessoas em 17 de julho, o relatório da CPI do Apagão minimiza o peso, na tragédia, do estado da pista do Aeroporto de Congonhas e o fato de o Airbus estar com o reverso travado. Mas diz que "não há como isentar de responsabilidade" a Airbus, por causa do sistema de automação do avião, e a TAM, pelo fato de os pilotos terem usado procedimentos inadequados no manuseio dos manetes. O relator Marco Maia (PT-RS) diz que não é possível ligar a crise aérea aos acidentes da Gol - em 29 de setembro, com 154 mortos - e da TAM, o que exime de responsabilidade o governo federal. "Também se pode afirmar, categoricamente, que voar nos céus brasileiros é plenamente seguro." No capítulo sobre o acidente da TAM, Maia aponta como "fatores presentes, mas não contribuintes" da tragédia, "as condições da pavimentação da pista principal do aeroporto; o fato de a pista principal do aeroporto se encontrar molhada e o reversor do motor direito se encontrar inoperante". Ele afirma não ter condições de apontar se a causa principal da tragédia foi erro humano ou falha mecânica. Embora tenha desconsiderado o aeroporto como fator preponderante para o acidente, o relator diz que a pista de Congonhas "tem se revelado inadequada para operação com aeronaves de grande porte nos seus limites máximos de operação". O relator cita a norma da Anac que, para alguns experts, proibia o pouso em Congonhas com o reverso travado - a versão da agência é oposta, de que o texto autorizava o procedimento. Para Maia, "a estrutura colegiada" da Anac "revelou-se falida". Ele também criticou a Infraero por ter dado prioridade ao "conforto em detrimento da segurança" nas obras em Congonhas.

O Estadao de S.Paulo

26 Setembro 2007 | 00h00

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