Relatora da ONU critica falta de informações sobre violência no Rio

A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Execuções Sumárias, Asma Jahangir, que iniciou visita ao Rio nesta sexta-feira, criticou a falta de informação sobre os números de pessoas mortas por grupos de extermínio e em prisões do Rio. "Eu não estou muito satisfeita, quero fatos e números. Se todo mundo diz que tudo está correndo bem, eu não sei o que estou fazendo aqui. Preciso de uma coisa mais concreta." Ela também pediu informações sobre o caso do comerciante chinês Chan Kim Chang, que teria sido espancado e morto dentro do presídio Ary Franco.O chefe de Polícia Civil do RJ, delegado Álvaro Lins, entregou a Asma o relatório final do inquérito civil que apurou a morte de Chang, concluído esta semana com o indiciamento de 12 pessoas. A relatora estranhou a existência de dois inquéritos, um civil e um federal, para investigar o caso - o que se deve ao fato de Chang ser um preso federal, por ter sido detido por evasão de divisas, encarcerado numa prisão estadual.Álvaro Lins garantiu que entregará a ela até segunda-feira um dossiê sobre a participação de policiais em grupos de extermínio, com detalhamento do perfil das vítimas. O chefe de Polícia informou a Asma que o número de homicídios vem caindo no Rio - segundo ele, em 1995, foram 8.438 registros, e, em 2002, 6.253 - e o de prisões, vem crescendo.A relatora chegou ao Brasil no dia 16 e já esteve em Brasília, na Bahia, em Pernambuco, no Pará, em São Paulo e no Espírito Santo. Neste sábado, ela conversará com estudantes de Direito e com defensores de Direitos Humanos. Domingo, irá ao Morro do Borel, na zona norte, onde quatro homens foram executados pela polícia em abril. Na terça-feira, ela volta a Brasília, de onde embarca, no dia seguinte, para Genebra.

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