Relatório aponta falhas, mas não fornece respostas

Após a divulgação do relatório preliminar que investiga as causas do acidente envolvendo o Boeing da Gol e o jato Legacy, ocorrido no dia 29 de setembro, diversas perguntas continuam sem resposta. Segundo análise do coronel da reserva da Aeronáutica Gustavo Franco Ferreira, especialista em investigação de acidentes aéreos, o documento não aborda o porquê de o centro de controle Cindacta-1 ter ficado quase 20 minutos sem tentar contato com o Legacy."Em controle de tráfego, 19 minutos são uma eternidade. Não importa se eles tinham feito seis tentativas anteriores de contato", ressaltou o expert, em entrevista ao Estado.De acordo com as informações apuradas até o momento, as aeronaves colidiram porque o Legacy estava na contramão, a 37 mil pés de altitude. Ao notar a falha, o Cindacta-1 teria tentado entrar em contato sete vezes com o jato. E os pilotos também teriam tentado falar com a torre 13 vezes até o momento do acidente.Portanto, a partir das 16h34, não houve contato. Às 16h53, quando finalmente os americanos ouviram o chamado da torre, que indicava uma freqüência de rádio, pediram que a mensagem fosse repetida, mas não foram ouvidos pelos controladores. Três minutos depois, ocorreu o choque.Perguntas sem respostasSegundo o presidente da comissão que investiga o caso, coronel Rufino Ferreira, o próximo passo das investigações é ouvir os controladores, tanto de Brasília, quanto de São José dos Campos, de onde o jato decolou. Além dos detalhes sobre as conversas com o piloto, os investigadores pretendem descobrir os motivos pelos quais eles não tentaram se comunicar antes com os americanos e quais eram as informações disponíveis na ocasião.Entre as questões que ainda não foram esclarecidas pelo relatório estão ainda a falha no transponder do Legacy - dispositivo que opera como um radar - e o porquê de os pilotos terem conseguido fazer contato somente após o choque. Além disso, pretende-se esclarecer o não-funcionamento do sistema TCAS - utilizado para evitar colisão durante o vôo - nas duas aeronaves.Ferreira afirmou também que há mais um agravante no caso: o fato de, às 16h38, segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), o Cindacta-1 só ter conseguido retomar contato com o Legacy após a transferência do jato para o centro amazônico (Cindacta-4). Para o especialista, isso significa que o jato se tornou um ponto fantasma na tela dos controladores, o que também dificultou sua localização.

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