Relatório aponta superlotação em unidade da Febem

O senador Eduardo Suplicy (PT), o padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Menor, e membros da Comissão Teotônio Vilela preparam relatório que aponta a superlotação na Febem (Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor) do Brás. O documento deve ser entregue no dia 24 ao governador Geraldo Alckmin. Na manhã de ontem, o grupo visitou essas unidades. O local tem capacidade para 62 adolescentes, mas abrigava 354 jovens. De acordo com o senador, em cada quarto, projetado para um adolescente, há pelo menos três. Os colchões são colocados no chão. "Eles dormem como valetes", disse Suplicy, utilizando-se da expressão usada pelos próprios internos, em referência à carta do baralho. "No início do ano, toda Febem abrigava 4 mil adolescentes, e hoje, esse número pulou para 4.760, o que demonstra um agravamento da situação social". A Febem do Brás é uma unidade de triagem. Os adolescentes permanecem lá por no máximo 45 dias, aguardando decisão judicial. De acordo com membros da comissão, o principal fator de superlotação é a falta de assistência jurídica. Há apenas dois estagiários de direito para todos os adolescentes. Integrantes da comissão citaram o caso de dois irmão de Suzano, interior de São Paulo, que roubaram duas balas de côco e estão internados lá. "Eles precisam ser orientados sobre as gravidade dos delitos que cometeram, ter um defensor", disse Lancelotti.A comissão ainda apontou a ociosidade dos adolescentes, que passam o dia sem poder falar um com o outro, apenas vendo, de vez em quando, alguns filmes. As fitas disponíveis no local incluem produções como Anaconda e O Fim dos Dias. A direção da Febem informou que está providenciando novas vagas no Brás até dezembro.

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