Relatório da PF confirma existência do mensalão

Investigação comprova pagamentos de empresas de Marcos Valério a segurança de Lula e cita políticos como o hoje ministro Fernando Pimentel

, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2011 | 00h00

Relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Após seis anos de investigação, a PF concluiu que o Fundo Visanet, com participação do Banco do Brasil, foi uma das principais fontes de financiamento do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. Divulgado pela revista Época, o documento de 332 páginas vai contra a alegação do ex-presidente Lula de que o mensalão seria uma farsa montada pela oposição.

O relatório aponta que, dos cerca de R$ 350 milhões recebidos pelas empresas de Valério no governo Lula, a maior parte dos recursos destinados a pagamentos políticos saiu do fundo.

As investigações da PF confirmaram que o segurança Freud Godoy, que trabalhou com Lula nas campanhas presidenciais de 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do esquema do valerioduto, como revelou o Estado em setembro de 2006. A novidade é que Freud contou à PF que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência - configurando uma ligação próxima do ex-presidente com o mensalão. Freud disse que o dinheiro serviu para cobrir parte dos R$ 115 mil que o PT lhe devia.

O relatório da PF apontou o envolvimento no esquema do mensalão - direta ou indiretamente - de políticos como o hoje ministro petista Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio). Rastreando as contas do valerioduto, os investigadores comprovaram que Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, recebeu cheque de R$ 247 mil de uma conta da agência SMP&B no Banco Rural. O documento cita ainda seis deputados, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um ex-senador e o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga.

Dantas. Segundo a revista Época, a PF confirmou que o banqueiro Daniel Dantas tentou garantir o apoio do governo petista enviando dinheiro às empresas de Valério. O então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, teria pedido ao banqueiro ajuda de US$ 50 milhões, depois de uma reunião entre Dantas e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Pouco antes de o mensalão vir a público, uma empresa controlada por Dantas fechou contratos com Valério. Segundo a PF, houve tempo suficiente para que R$ 3,6 milhões fossem repassados ao publicitário.

Pelas investigações, os empréstimos que a defesa de Valério apontou como origem do dinheiro do mensalão não se comprovaram e esses papéis serviram somente para dar cobertura jurídica a uma intrincada operação financeira.

A PF aponta duas fontes de recursos para o valerioduto. A principal eram os contratos do publicitário com ministérios e estatais - principalmente o do Visanet, via Banco do Brasil. A outra fonte de receitas eram os pagamentos de empresas pelo lobby que Valério fazia junto ao governo do PT.

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