Relatório da Prefeitura vai culpar Cedae por deslizamento

Segundo secretário, serão gastos cerca de R$ 5 milhões em obras definitivas no Túnel Rebouças

29 Outubro 2007 | 15h49

 Relatório elaborado pela Geo-Rio, que vai apontar as causas dos deslizamentos no Túnel Rebouças, revelou vazamento na tubulação de alta pressão com seis polegadas, responsável pelo abastecimento das caixas-d’água da comunidade Cerro Corá, localizadas na Ladeira dos Guararapes. Segundo o secretario municipal de Obras, Eider Dantas, esta foi a principal causa dos deslizamentos que tiveram como conseqüência o fechamento do túnel, que faz ligação entre as zonas Norte e Sul da Cidade. "Tínhamos certeza de que havia um vazamento. Pedimos ajuda à Cedae há seis dias e só ontem, domingo, é que o furo, de 150 milímetros, foi consertado. Assim, podemos trabalhar melhor", afirmou Eider Dantas. Ainda segundo o secretário, serão gastos cerca de R$ 5 milhões na construção de obras definitivas de contenção no local, que devem ser iniciadas no próximo dia 5.     O trânsito na região do túnel Rebouças, principal ligação entre as zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro, estava tranqüilo por volta das 15h30 desta segunda-feira, 29, após a abertura de uma de suas galerias, no início da manhã. Segundo informações da Coordenadoria de Vias Especiais, funcionários estão instalando uma grade de proteção na encosta do túnel, na galeria sentido Norte-Sul. Essa proteção já havia sido colocada no Sul-Norte. Por isso, foi permitida a reabertura parcial do trânsito no túnel nesta segunda.   A galeria no sentido Centro permanecerá aberta até as 15 horas, quando será fechada para a inversão da pista, que passará a funcionar a partir das 16 horas sentido Sul. O Túnel Rebouças foi parcialmente aberto às 5 horas desta segunda-feira. Segundo a Prefeitura, cerca de 6 mil toneladas de terra já foram retiradas da encosta localizada acima da entrada do túnel e abaixo do Morro Cerro-Corá, no Cosme Velho. Mas a quantidade de terra que deslizou pode ser bem maior que as 7 mil t estimadas inicialmente.   Outro lado   O presidente da Cedae, Wagner Victer, afirmou que um cano com essas medidas não seria capaz de provocar a queda de barreira, mesmo que o vazamento tivesse começado meses atrás. "Não vou cair na armadilha política que visa a desviar a atenção da população sobre as causas deste acidente. Se um cano rachado com o diâmetro de uma caixa de fósforos causasse deslizamento de terra, todas as favelas do Rio já teriam ruído. A responsabilidade por medidas como drenagem, combate ao desmatamento, coleta de lixo e controle de encostas e das construções irregulares é do município", disse Victer. Segundo ele, as ligações de água no Cerro-Corá foram feitas no ano passado, como parte do programa Favela-Bairro, da prefeitura.   Em meio ao bate-boca de autoridades, moradores do Cerro-Corá reclamam que o abastecimento foi suspenso desde o deslizamento. A prefeitura anunciou que usará carros-pipa para abastecer a caixa-d'água da favela. A Cedae retomou o fornecimento na sexta, mas tem dado prioridade a bombeiros que jogam jatos d'água na encosta com o objetivo de facilitar a remoção manual dos detritos.

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