Relatório denuncia tortura de presos em Mirandópolis

O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) e seção brasileira da Ação dos Cristãos para a Abolição da Tortura (Acat) divulgaram nesta segunda-feira, 31, relatório denunciando que os 1.250 presos da Penitenciária 1 de Mirandópolis são submetidos à práticas de tortura e tratamento degradante e desumano.De acordo com a denúncia, os presos de Mirandópolis estão convivendo na mesma situação dos colegas de Araraquara. Segundo o coordenador do MNDH, Ariel de Castro Alves, o objetivo é pedir investigação em outros presídios porque há denúncias de que o abuso não estaria ocorrendo apenas nas prisões de Mirandópolis e Araraquara, mas também em outras do sistema prisional.Os detentos de Mirandópolis estão confinados, segundo o relatório, num pavilhão para 120 pessoas. O confinamento foi feito, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) porque eles destruíram os outros três pavilhões do presídio numa rebelião, em 16 de junho.Castro Alves disse que vai pedir à Defensoria Pública uma auditoria para verificar as condições do presídio, uma vez que os próprios advogados da Pastoral Carcerária e de outros órgãos de direitos humanos foram proibidos de entrar no local.O relatório, segundo ele, também será enviado à Secretaria de Administração Penitenciária, ao Ministério Público Estadual, Corregedoria do TJ, ONU, Comissão Internacional dos Direitos Humanos e OEA.A situação de Mirandópolis é a mesma descrita anteriormente por familiares e presos ao Estado. Eles denunciam a prática de tortura, envenenamento da comida, racionamento de água e falta de colchões para dormir. "É uma verdadeira masmorra medieval", diz Castro Alves. Segundo Paulo César Sampaio, coordenador da Acat Brasil, há presos feridos e doentes, portadores de aids, diabetes e tuberculose, sem receber atendimento médico.Entrevistado por celular, um detento disse à reportagem que os presos são obrigados a lavar a comida porque elas estariam sendo contaminadas por vidro moído. "Houve um surto de diarréia e muitos ficaram doentes", disse. Segundo ele, há apenas 200 colchões para todos os 1.250 detentos, por isso, a maioria dorme em redes, ao relento.

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