Relatório do voo AF447 aponta culpa de pilotos e sensor de velocidade

Os investigadores do acidente do voo Rio-Paris da Air France, que matou 228 pessoas em 2009, culparam uma combinação de erro de pilotagem, problemas técnicos, treinamento inadequado e supervisão fraca em um relatório que foi mais longe do que o esperado em castigar o setor de segurança.

Reuters

05 Julho 2012 | 11h49

O relatório final sobre a queda do avião no Oceano Atlântico, há mais de três anos, pediu um melhor treinamento de pilotos e design do cockpit entre 25 recomendações para evitar a repetição do desastre.

Sindicatos comerciais dos pilotos e a Air France têm estado em desacordo com a fabricante Airbus sobre quem ou o que foi o culpado pela pior perda da companhia aérea.

A autoridade de investigação francesa BEA confirmou as descobertas anteriores de que a tripulação havia lidado erroneamente em sua resposta à perda de leitura de velocidade por sensores defeituosos que ficaram congelados nas condições de turbulência sobre o sul do Atlântico em 1o de junho de 2009.

A aeronave mergulhou na escuridão por quatro minutos em uma parada aerodinâmica enquanto suas asas buscavam ar e os pilotos não conseguiram reagir aos repetidos alarmes de paralisação, de acordo com registros do voo recuperados dois anos depois do acidente.

"Este acidente resultou de um avião ter sido retirado de seu ambiente operacional normal por uma equipe que não tinha entendido a situação", disse o diretor do BEA, Jean-Paul Troadec.

O relatório também descobriu que os sensores de velocidade dos A330, chamados de sondas pitot e desenhados pela francesa Thales, só foram atualizados após o desastre, embora não tivesse havido incidentes anteriores com o equipamento.

O relatório instou a Airbus a rever o sistema de alerta de paralisação da aeronave após críticas ao comportamento errático do alarme quando o avião estava profundamente em seu mergulho de 38.000 pés. Também pediu uma revisão da maneira como a indústria da aviação e as companhias aéreas da França são supervisionadas.

Familiares das vítimas do acidente imediatamente criticaram o relatório como impondo pouca pressão sobre a indústria aeroespacial, garantindo que a discussão sobre a responsabilidade pelo acidente vai permanecer enquanto Air France e Airbus enfrentam uma investigação de homicídio na França.

"Parece que os pilotos foram induzidos ao erro pelos problemas com as sondas pitot", disse Robert Soulas, chefe de uma associação de familiares das vítimas a bordo do voo 447.

(Reportagem de Alexandria Sage e Thierry Levque)

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