Pedro Junior
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Assalto a bancos em Araçatuba: 'novo cangaço' teve casos recentes no Sul e Sudeste

Grupos criminosos fazem uso de armamento pesado e explosivos para atacar cidades com efetivo policial reduzido. Ataque nesta madrugada levou pânico ao interior de São Paulo

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 15h06
Atualizado 30 de agosto de 2021 | 13h03

SOROCABA — A ação de quadrilhas especializadas em grandes assaltos, como a que aconteceu na madrugada desta segunda-feira, 30, em Araçatuba, interior de São Paulo, é conhecida nos meios policiais como "novo cangaço". O termo faz referência aos bandos itinerantes que atacavam quartéis e roubavam instituições financeiras em pequenas cidades do sertão nordestino, no século 19.

Os ataques nos dias atuais envolvem grupos de 20 a 40 bandidos fortemente armados. Quase sempre os alvos estão em cidades pequenas, com efetivo policial reduzido. As ações são planejadas e, dependendo do alvo, as quadrilhas usam armas de guerra, como metralhadora calibre ponto 50, e recursos tecnológicos, como os drones usados em Araçatuba, cujo ataque terminou com três mortos. Conforme a polícia, as ações quase sempre envolvem facções criminosas.

O ataque em Araçatuba deixou pelo menos três mortos e chamou atenção por usar reféns como escudo humano em ruas da cidade e carros de fuga. Relembre outros grandes roubos cometidos por quadrilhas a partir de 2020.

Janiru

Em 13 de julho deste ano, cerca de 15 homens armados com fuzis assaltaram uma fábrica especializada em refinaria de ouro em Janiru, interior de São Paulo. No ataque, os criminosos usaram um drone para visualizar o entorno da fábrica e monitorar eventual aproximação da polícia. De forma parecida ao que aconteceu em Araçatuba, os bandidos incendiaram carros para dificultar o acesso ao estabelecimento. Houve troca de tiros, mas ninguém se feriu. 

Mococa

No dia 7 de abril deste ano, uma quadrilha com 20 integrantes usou explosivos para atacar três agências bancárias em Mococa, cidade de mil habitantes, no interior de São Paulo. Os criminosos atiraram a esmo para assustar a população, atingindo lojas, uma base policial e uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O vigia da unidade ficou ferido por estilhaços.

Araraquara

Na madrugada de 24 de novembro do ano passado, cerca de 30 homens armados com fuzis invadiram a cidade de Araraquara. Enquanto uma parte do bando atacava o quartel da Polícia Militar, a outra explodia duas agências bancárias. Houve intenso tiroteio. Dois moradores foram usados como escudos humanos pelos bandidos. Na fuga, quatro caminhões e um carro foram incendiados para dificultar a perseguição.

Botucatu

Em julho do ano passado, uma quadrilha com 40 homens, entre eles integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), invadiu a área central de Botucatu e usou explosivos para roubar um banco e uma joalheria. Moradores foram feitos reféns. Houve intensa troca de tiros e dois policiais ficaram feridos. Um laudo apontou que a munição usada no ataque foi desviada das forças de segurança oficiais.

Ourinhos

Em maio de 2020, cerca de 40 criminosos em dez veículos cercaram e atiraram contra as bases da Polícia Militar, enquanto assaltavam uma agência bancária, em Ourinhos. Os criminosos usavam drones e tinham armas capazes de derrubar um helicóptero. Houve tiroteio e seis pessoas foram tomadas como reféns pelos criminosos. Uma vítima foi atingida por um tiro na perna. O bando fugiu em direção ao Paraná.

Criciúma

Ataques semelhantes aconteceram em outros estados. Em Criciúma, interior de Santa Catarina, 30 bandidos usaram armas de guerra e explosivos para assaltar uma agência bancária no centro da cidade, em novembro de 2020. Os criminosos, em dez carros, atacaram a tiros um batalhão da Polícia Militar e incendiaram um caminhão para bloquear a saída das viaturas. Foram feitos reféns e um policial militar foi baleado. O bando levou R$ 125 milhões no maior roubo já registrado no Estado.

 

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