Religioso sugere que família da vítima se mude

Segundo ele, apartamento sempre carregará as ?marcas? da tragédia

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

20 Outubro 2008 | 00h00

Após a confirmação da morte cerebral de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, a família da jovem cogita mudar do Conjunto Habitacional do Jardim Santo André, em Santo André. A idéia foi sugerida quando a adolescente recebeu, no início da noite de sábado, o serviço de unção na UTI do Centro Hospitalar Municipal de Santo André.Coube ao religioso da Congregação Cristã do Brasil, Josoel de Oliveira, sugerir a mudança para que se possa "reduzir o sofrimento" da família. "Falei isso para eles e o pai disse: ?O pensamento nosso é proceder assim?. Mas a mãe falou: ?A gente tem muitos amigos lá?. Sei que é uma situação difícil. Mas é importante sair para eliminar um pouco daquele sentimento", afirma o líder da igreja freqüentada pela família. "A mãe resistiu um pouquinho por causa da amizade com as vizinhas. Mas vai ficar uma seqüela daquele lugar", observou. Apesar de nós termos a nossa fé, é sempre bom a gente tentar ir para um lugar para poder esquecer. Só vai diminuir o sofrimento com o passar do tempo. Agora, estando naquele lugar, é como sempre olhar para uma cruz: vai ter um sentimento de recordação", afirmou o religioso. Eloá morava com os pais e dois irmãos no segundo andar (terceiro piso) do bloco 24 do prédio da CDHU. Desde a sexta-feira, o apartamento da família, que teve a porta arrombada na invasão policial, está fechado. Evangélicos, os pais da jovem estão abrigados na casa de "irmãos" da Igreja. "Futuramente, esses estragos vão passar. Deve-se recompor novamente esse apartamento. Mas sugeri que eles procurassem, com o tempo, sair daquele lugar para outro. Quando se põe o pé na entrada da casa, é inevitável pensar que ali houve um problema", diz Oliveira. Segundo o religioso, a mãe, Ana Cristina, é quem mais demonstra o sofrimento com o desfecho trágico do seqüestro de Eloá. O irmão caçula, Douglas, de 14 anos, que participou da negociação com o ex-namorado da irmã, Lindemberg Alves, está inconformado. "O pai está bem consciente. A mãe não está muito bem preparada porque é a única filha. Havia uma amizade íntima", diz Oliveira. O religioso fez a unção de Eloá às 18h30 de anteontem, dentro da Unidade de Terapia Intensiva, acompanhado de Aldo e Ronikson da Silva, pai e irmão mais velho da adolescente, respectivamente. O serviço de unção da Igreja evangélica, explica Josoel, equivale à extrema unção dos católicos, dada a doentes terminais. O ato consiste na aplicação de um óleo consagrado na pessoa. "Fizemos aquilo que está dentro da doutrina", diz o religioso, que aprovou a doação de órgãos feita pela família. "Somos a favor da doação de órgãos nesse caso da Eloá, com morte cerebral. É maravilhoso ajudar alguém. Vamos fazer que nem o elo de uma corrente e nos juntar para o bem. Isso é importante." O funeral de Eloá, que deve ser iniciado até amanhã, será acompanhado por um ancião, religioso mais antigo da Igreja na região. O local em que a jovem será sepultada não estava definido até as 20 horas de ontem.

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