Remédio mata criança de 9 anos em Divinópolis

Droga estava em armário da cozinha de abrigo; outras 5 crianças se intoxicaram, das quais 3 estão em coma

Leonardo Werner, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

Ingestão de medicamento para crises convulsivas matou uma criança de 9 anos e intoxicou outras cinco em abrigo municipal da cidade mineira de Divinópolis, a 120 quilômetros de Belo Horizonte. Três das vítimas de intoxicação, que têm entre 12 e 14 anos, estão em coma. Outras duas foram liberadas pelos médicos, após serem submetidas à lavagem intestinal. A intoxicação aconteceu na madrugada de ontem, no abrigo municipal Homem de Nazaré. O remédio, segundo funcionários, estava guardado em um armário da cozinha do local. Os menores teriam se aproveitado de um descuido do responsável pelo monitoramento do armário para apanhar o medicamento. Todos os comprimidos de Tegretol (carbamazepina) que estavam na caixa foram consumidos. A coordenadora do abrigo disse à polícia ter desconfiado do que ocorrera ao observar que as crianças estavam passando mal. Elas foram, então, levadas ao Pronto-Socorro. De acordo com os bombeiros, três das crianças estavam inconscientes no momento em que deixaram o abrigo.O local continuou funcionando ao longo do dia. O abrigo tem capacidade para 30 crianças e, atualmente, tem 20 vagas ocupadas. A maior parte dos internos é encaminhada para lá pela Vara da Infância e da Juventude. Por causa disso, a identidade das vítimas - duas do sexo feminino e quatro do masculino - não foi revelada. O corpo do menino de 9 anos foi enterrado ontem. A prefeitura de Divinópolis enviou um representante da Secretaria da Promoção Humana ao abrigo. No entanto, ele não se manifestou sobre o caso, dizendo, apenas, que iria aguardar o pronunciamento da Vara da Infância e da Juventude. A prefeitura emitiu nota, na qual afirmou que o caso será investigado. Informações iniciais dão conta de que um dos menores envolvidos supostamente fazia o uso controlado do Tegretol. Por isso, ele teria acesso livre ao armário onde o medicamento era guardado. Inquérito policial será instaurado para apurar responsabilidades.

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