Remodelação à vista na Liberdade

Iniciativa privada financia obras

Rodrigo Brancatelli, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

09 de janeiro de 2008 | 00h00

O bairro da Liberdade, ponta mais visível da colônia japonesa em São Paulo, tem poucos motivos para comemorar o centenário da imigração, em 18 de junho. Um de seus marcos, um portal de entrada na Rua Galvão Bueno, o torii vermelho, está quase laranja. Muitas das lanternas orientais estão quebradas ou faltando. O lixo está esparramado, e quem dribla os detritos na calçada também precisa tomar cuidado com os buracos. Mas um professor de arquitetura que foi monge budista por 16 anos pretende mudar esse cenário. Capitaneando dez arquitetos voluntários, ele quer, até janeiro de 2009, transformar a Liberdade num grande pólo turístico paulistano.A idéia de Márcio Lupion, líder da Kallipolis Arquitetura, é transformar fachadas, cabines telefônicas, postos policiais, bancas de jornal e todo o mobiliário urbano, usando como base a arquitetura de 1600, do Japão feudal. Em fim de março, começam a ser remodeladas as Ruas da Glória, Tomás Gonzaga, Galvão Bueno, São Joaquim, Estudantes e Conselheiro Furtado, além do Largo da Pólvora. A obra deve custar de R$ 50 milhões a R$ 55 milhões - 25 empresas se interessaram em bancar as dez cotas de patrocínio. "Nem esperamos o dinheiro da Prefeitura", diz o ex-monge, que trabalhou no projeto da Nova Luz e prepara sugestões de intervenções em seis bairros da capital. Pela proposta de Lupion, a Praça da Liberdade terá diversos círculos vermelhos pintados no piso, e a praça em frente do 1° Distrito, na Rua da Glória, vai ganhar a estátua de um Buda em pedra de 6 metros. "Até junho, acho que teremos 30% a 40% da obra concluída."SHOW ESGOTADOO show de abertura das comemorações ocorrerá no dia 16, no Auditório Ibirapuera. Os 800 ingressos gratuitos distribuídos ontem pela manhã se esgotaram em pouco mais de uma hora. O show terá apresentações do grupo Rin?, formado por estudantes da Universidade Nacional de Artes e Música de Tóquio, e dos músicos Agatsuma Hiromitsu, Hamilton de Holanda e Yamandú Costa.

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