Renda obtida com teleférico era desviada

Cinco funcionários do governo paulista são presos, acusados pela fraude

Simone Menocchi, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

Cinco funcionários públicos do governo de São Paulo foram presos na manhã de ontem em Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, acusados de peculato. Depois de dois meses de investigações, a Polícia Civil de Campos do Jordão prendeu os funcionários, acusados de formar a gangue do teleférico, que desviava metade do dinheiro arrecadado com a bilheteria do bondinho.A denúncia partiu da Secretaria de Estado de Turismo, responsável pela Estrada de Ferro Campos do Jordão, que administra as atrações turísticas na cidade como parques, trenzinho e teleférico. Segundo o delegado Fernando Pato, os funcionários - cinco presos e outros sete suspeitos de envolvimento no esquema - tiveram as ligações telefônicas interceptadas pela Justiça. Nas conversas eles comentavam como era o esquema de desvio do dinheiro. A polícia ouviu os outros suspeitos, liberados por falta de provas. Os nomes dos servidores não foram revelados. Fernando Pato afirmou que os suspeitos mantinham um esquema de desviar pelo menos metade da bilheteria passando duas pessoas por vez na catraca, que registrava somente uma pessoa. "Chegavam a passar seis pessoas de uma vez, sem mexer a catraca", disse o delegado. Os ingressos não eram picotados e voltavam à bilheteria para ser revendidos. Com capacidade para transportar até 600 pessoas por hora, o teleférico - que funciona desde 1970 - é considerado uma das atrações mais procuradas em Campos. Em baixa temporada passam cerca de 4 mil pessoas por mês pela atração turística, mas em julho o público chega a 40 mil pessoas. As cadeiras individuais sobem ao Morro do Elefante, a 1.800 metros, de quinta-feira a domingo e também durante os feriados. O esquema funcionava havia cinco anos. Somente no ano passado o grupo pode ter desviado cerca de R$ 500 mil. O ingresso custa R$ 10 e o teleférico chega a movimentar cerca de R$1 milhão por ano.

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