Renuncia deputado que provocou duas mortes

Carli Filho, que perde foro privilegiado e será julgado pela Justiça comum, dirigia bêbado e em alta velocidade quando ocorreu o acidente

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho (PSB), de 26 anos, que se envolveu em um acidente automobilístico no dia 7, resultando na morte de dois jovens, em Curitiba, renunciou ontem ao mandato parlamentar para o qual tinha sido eleito em 2006, com 46.686 votos. Com isso, ele evitou a sindicância aberta pela Corregedoria da Assembleia Legislativa, que poderia resultar em cassação por quebra de decoro parlamentar. Sem o mandato que lhe garantia foro privilegiado, o processo sai do Tribunal de Justiça e vai para a Justiça comum.A carta de renúncia chegou no dia em que terminava o prazo para apresentar defesa à Corregedoria. Ela será lida em plenário na segunda-feira. Carli Filho está internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde se submeteu a cirurgias de reconstituição da face. A polícia já tem documentos que comprovam que ele estava com teor alcoólico de 7,8 decigramas por litro de sangue. A partir de 6 decigramas é considerado crime.Além disso, o Passat importado que dirigia estava em alta velocidade e, segundo testemunhas, chegou a decolar antes de se chocar contra o Fit dirigido por Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, que levava como passageiro Carlos Murilo de Almeida, de 20. Ambos morreram no local. Para agravar a situação de Carli Filho, ele estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cassada desde meados do ano passado, após ter somado 130 pontos. "Renuncio ao mandato que o povo paranaense me outorgou nas eleições de 2006 e nas quais tive a honrosa escolha de ser o parlamentar mais jovem da atual legislatura", disse Carli Filho na carta enviada ao presidente da Assembleia, deputado Nelson Justus (DEM)."Aguardo o meu processo e julgamento sem prerrogativas funcionais ou privilégios de qualquer ordem para receber, como cidadão comum, a sentença que as circunstâncias do fato e a sensibilidade da justiça determinarem", disse. Dirigindo-se aos deputados, Carli Filho disse que a renúncia iria poupá-los da "dolorosa missão de julgar um acusado que não foi ouvido, mas que está sofrendo condenação antecipada."A primeira medida do advogado da família Yared, Elias Mattar Assad, ao tomar conhecimento da renúncia ao mandato, foi protocolar um pedido no Ministério Público do Paraná (MP) para que o promotor Rodrigo Chemim continue no caso. Ele argumentou que a permanência de Chemim impediria perda no conteúdo das investigações. O MP disse que ainda não há comunicação oficial da renúncia.Assad disse esperar que seja oferecida denúncia, enquadrando Carli Filho em duplo homicídio com dolo eventual, o que levaria a ser julgado por um júri popular. "Há elementos fortes que apontam para isso", disse. Carli Filho deve ser ouvido depois de receber alta hospitalar.

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