DIDA SAMPAIO / ESTADÃO
Após 14 dias em quarentena, a garota Melissa corre para embarcar no avião que a levaria de volta para casa DIDA SAMPAIO / ESTADÃO

Repatriados e militares embarcam para seus Estados após 14 dias de quarentena em Anápolis

Os 58 brasileiros estiveram no epicentro dos casos de coronavírus na China e estão liberados para voltar para suas casas

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 11h32
Atualizado 01 de abril de 2020 | 18h22

ANÁPOLIS - As 58 pessoas que eram mantidas em quarentena na Base Aérea de Anápolis foram liberadas neste domingo, 23, após exames confirmarem que eles não foram contaminados pelo coronavírus.  Os brasileiros foram resgatados em Wuhan, na China, epicentro dos casos de coronavírus no país asiático, e estavam em confinamento desde o dia 9 de fevereiro. Inicialmente, o prazo estabelecido para que eles saíssem era na quinta-feira, 27.

Do total, 34 eram brasileiros que viviam na China e foram repatriados e 24 eram servidores militares e civis que participaram da Operação Regresso à Pátria Amada Brasil. Eles embarcaram pela manhã nas aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) que irão levá-los aos seus Estados de origem.

Uma cerimônia bastante emocionada e alegre marcou o fim da quarentena – que foi possível depois do terceiro exame dar resultado negativo para coronavírus. As amostras foram colhidas na sexta-feira e as análises foram concluídas neste sábado, 22. Os exames foram realizados pelo Laboratório Central do Estado de Goiás e pela Fundação Oswaldo Cruz.


O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, presente à cerimônia, embarcou no mesmo avião que seguiria com 20 dos repatriados para Brasília. Antes de entrar na aeronave, ele conversou com a imprensa e agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro a decisão de enviar o avião de resgate à China e à cooperação com os ministérios da Saúde e Relações Exteriores. "Temos orgulho do sucesso da operação e alívio com o resultado definitivo e negativo dos exames (para o coronavírus)", disse Azevedo.

 

Ministro diz que quarentena cumpriu protocolos internacionais

Já em Brasília, o ministro da Defesa afirmou que todos os protocolos nacionais e internacionais determinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde foram cumpridos para a liberação dos 58 brasileiros.

Inicialmente, estava previsto que a quarentena só terminaria na próxima quinta-feira, 27, quando completariam 18 dias. No entanto, o ministro explicou que antes os resultados dos exames estavam demorando de três a quatro dias para ficarem prontos, por isso foi feita essa previsão inicial. No entanto, disse, os resultados passaram a ser conhecidos em até duas horas. Assim, com a última coleta feita na sexta-feira, quando completaram os 12 dias, e os resultados já disponíveis no sábado, foi possível liberá-los neste domingo.

"O Ministério da Saúde orientou e deixou em condições de a gente liberar os 34 (brasileiros que estavam em Wuhan, na China, e foram resgatados) mais os 24 que acompanharam (tripulação que foi buscá-los) a partir do 14º dia e de todos os quatro exames. Fizemos um exame a mais. Fizemos um na China, um no zero dia (no Brasil), um no sétimo dia e outro no 12º dia. Todos com resultado negativo (para o coronavírus) e dentro do prazo", afirmou o ministro ao desembarcar na Base Aérea de Brasília.

Dois dos repatriados falaram rapidamente com a imprensa enquanto se dirigiam ao avião, ainda em Anápolis. Caleb Guerra, estudante de Literatura de 28 anos, disse que estava muito feliz e mandou um beijo para o pai. A pedido do Estado, durante o confinamento, ele escreveu relatos periódicos sobre a experiência na quarentena e a sua própria história de vida em Wuhan, onde estava havia nove anos.

O estudante de mestrado em recursos humanos, Alefy Rodrigues, de 26 anos, disse que estava muito feliz de voltar para casa, em pleno carnaval, e que foi muito bem tratado durante a quarentena.

A instalação militar foi adaptada para receber o grupo. O clima era de um hotel. Uma brinquedoteca foi montada para entreter os pequenos. Para os adultos, havia internet e uma fanfarra que tocava uma vez ao dia.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que também participou da cerimônia, disse que as autoridades evitaram discursar hoje para não atrasar o regresso das famílias e que os repatriados devem ser recebidos em Brasília pelo presidente Jair Bolsonaro em uma cerimônia ainda a ser marcada.

Caiado afirmou que todo o protocolo de exigência internacional foi cumprido à risca na quarentena até a liberação do grupo. Ele agradeceu a parceria com o governo federal e elogiou o povo goiano pela acolhida aos brasileiros. "Venceu a tese de que a solidariedade venceu o medo. Esse é o maior legado da operação. O goiano é um povo acolhedor que não tem o vírus do preconceito", disse.

Duas aeronaves decolaram da Base Aérea de Anápolis com os repatriados. Uma delas fará o roteiro Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Uma segunda seguirá para Brasília e de lá um outro voo da FAB irá para a Serra do Cachimbo, no Pará, com um passageiro. Outros dois passageiros que desembarcarão em Brasília seguirão em voos comerciais para o Rio Grande do Norte e Maranhão.

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Coronavírus: Veja o que já se sabe sobre a doença

Um vazamento de amônia líquida em uma unidade de refrigeração em uma instalação de armazenamento a frio em Xangai matou ontem 15 pessoas e feriu outras 26, informaram autoridades locais. O vazamento ocorreu na Weng's Cold Storage Industrial Co., localizada no distrito de Baoshan. A China, segunda maior economia do mundo, tem um histórico de problemas de segurança no trabalho. Em junho, 120 pessoas morreram em um incêndio em uma unidade de processamento de frango em Jilin.

Itália decreta toque de recolher em municípios atingidos por coronavírus

Até o momento, dois cidadãos morreram pela causa nas regiões de Veneto e Lombardia; país confirma 132 casos da doença

Redação, O Estado de S. Paulo

23 de fevereiro de 2020 | 10h01

Roma - A Itália decretou toque de recolher em municípios em que casos de coronavírus foram confirmados. As cidades que são alvo do decreto que impede a mobilidade de sua população são: Casalpusterlengo, Codogno, Castiglione d'Adda, Fombio, Maleo, Somaglia, Bertonico, Terranova dei Passerini, Castelgerundo e Sanfiorano, na região da Lombardia e onde vivem cerca de 50.000 pessoas e Vo 'Euganeo, em Veneto, com 4.000 habitantes.

Além de cancelar alguns eventos públicos nas regiões de Veneto e Lombardia, como estão todos programados para o futebol italiano da Série A (Inter-Sampdoria, Atalanta-Sassuolo e Verona-Cagliari), também foi decidido suspender a partida Torino-Parma. O carnaval, que atrai dezenas de milhares de visitantes para a cidade da lagoa, seria celebrado na terça-feira, 25.

O famoso carnaval de Veneza foi cancelado na tentativa de cancelar a propagação do vírus. "A ordenança é imediatamente operacional e entrará em vigor à meia-noite '', anunciou a governadora regional de Veneto, Luca Zaia, cuja área inclui a cidade. 

O número de diagnosticados com coronavírus em quatro regiões do norte da Itália é de 132. A confirmação se deu após 3.000 pessoas suspeitas da doença terem ido analizadas, conforme afirmou neste domingo, 23, o chefe da Proteção Civil italiana, Angelo Borrelli. Até agora, a Proteção Civil confirmou a morte de duas pessoas devido à doença em Veneto e na Lombardia.

A maioria dos casos está registrado na região de Lombardia, com um total de 89 pessoas, seguidos pelas 24 registradas em Veneto (dois desses na cidade de Veneza). Da mesma forma, os infectados em Piacenza aumentaram para nove, na região vizinha de Emilia Romagna, enquanto há seis positivos em Piemonte. Além de mais dois, neste caso turistas chinses, que foram diagnosticados há alguns dias em Lácio. 

Do total de infectados, "54 são internados em hospitais, 26 em unidades de terapia intensiva e 29 em isolamento domiciliar", acrescentou Borrelli durante uma breve aparição diante da mídia para atualizar os dados.

Lombardia também anunciou o fechamento durante a próxima semana de todas as escolas, universidades e a suspensão de eventos públicos e atividades comerciais nas quais é a área mais rica do país.

Borrelli explicou que ainda não foi possível localizar quem é o chamado "paciente zero" que espalhou o vírus, de modo que "é difícil prever qual será a disseminação". Ao que parece, é analisada a possibilidade de que a origem das infecções seja um italiano de 38 anos que, a princípio, acreditava-se ter sido infectado ao jantar com um amigo que estava na China e retornou deste país em 21 de janeiro. No entanto, o vice-ministro da Saúde, Pierpaolo Sileri, confirmou no sábado que o suposto "paciente zero"  nunca teve o vírus.

O chefe da Proteção Civil italiana anunciou que já existem "milhares de camas" disponíveis em dezenas de quartéis militares na Itália, caso seja necessário declarar uma quarentena. Borrelli explicou que o Exército disponibilizou às autoridades 3.412 camas, enquanto a Força Aérea, cerca de 1.750 e que estão sendo feitos contatos para o uso de hotéis, se necessário./EFE, AP

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Comitê Olímpico Italiano pede cancelamento de eventos após casos de coronavírus

Após mortes no país, entidade quer desmarcar inclusive partidas de futebol que estão marcadas para o norte do país

Redação, Estadão Conteúdo

22 de fevereiro de 2020 | 10h20

O temor com a epidemia de coronavírus, agora denominado Covid-19, começou na China há algumas semanas e agora chegou na Itália, afetando vários eventos esportivos pelo país. Neste sábado, o presidente do Comitê Olímpico Italiano (CONI, na sigla em italiano), Giovanni Malagó, pediu o cancelamento de várias competições previstas nas regiões da Lombardia e do Veneto, no norte da Itália, depois da confirmação de duas mortes e 28 pessoas contagiadas pela doença nas últimas horas.

"Se há competições de qualquer esporte nas zonas onde há esses casos (de coronavírus), elas não poderão mais acontecer. É muito simples", afirmou Malagó em declarações dadas durante um evento esportivo na cidade de Montalcino, na região da Toscana, que fica na parte central da Itália.

Como consequência imediata depois da confirmação da entrada do coronavírus no país, dois jogos de futebol, que seria neste domingo, já foram cancelados. Um deles é entre Piacenza e Sanbenedettese, pela Série C, na cidade de Piacenza, na região da Lombardia, que faz fronteira com a Emilia-Romagna. O outro é entre Mantova e Fanfulla, pela Série D.

Outras modalidades afetadas pelo temor da propagação da doença são basquete, vôlei, hóquei no gelo e patinação artística. Todas tiveram eventos deste final de semana cancelados ou reprogramados para uma data futura.

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Relatos da quarentena (4): A possibilidade de perder um amigo para o coronavírus

'O senhor Chen é uma das pessoas mais interessantes que já conheci. Desde a  semana passada tento contato com ele mas não obtenho respostas', escreve Caleb Guerra, um dos 34 repatriados de Wuhan, na China, em quarentena na base área de Anápolis

Caleb Guerra, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2020 | 10h00

ANÁPOLIS - O Estado iniciou na semana passada a publicação de uma série de relatos escritos por Caleb Guerra, de 28 anos, estudante de Literatura que morava em Wuhan. Ele está entre os 34 brasileiros repatriados da província, área mais afetada pela epidemia de coronavírus. Guerra aceitou escrever um diário com suas impressões sobre a quarentena na Base Aérea em Anápolis, em Goiás. Este é o seu quarto texto. O governo informou nesta sexta-feira, 20, que avalia antecipar a liberação do grupo.  

"O dia 05 de janeiro de 2019 está acabando e eu já o considero um dos piores aniversários que eu já passei na vida. Cheguei em Wuhan há menos de quatro meses e não consigo lembrar qual foi a última vez que senti uma solidão tão densa assim. Depois de algum tempo na vida, socializar não é tarefa simples.

Levanto, coloco meus livros na mochila e caminho em direção à porta da biblioteca. Ainda de dentro do saguão vejo pela janela uma grande quantidade de alunos no pátio do lado direito dos pilares que leva ao laguinho do centro e às famosas cerejeiras da Universidade de Wuhan. Ao sair, o vento frio me lembra que eu não tenho roupa o suficiente e que o caminho até meu apartamento será solitariamente congelante, mas ainda assim, como me é de costume nos últimos dias, saio pela esquerda da praça em direção ao portão principal para pegar o caminho mais longo. Sempre me considerei introvertido mas a rotina de voltar para meu quarto alugado vazio tem me machucado além do suportável. 

Passando pelas últimas árvores antes de chegar na saída, recebo uma mensagem do senhor Chen. Ele diz que viu uma postagem minha mais cedo naquele dia falando sobre meus recém cumpridos vinte e sete anos e me pergunta onde eu estou e o que estou fazendo. Tento não focar no quão patético e carente eu me sinto agora pela publicidade que fiz mais cedo sobre mim, e respondo dizendo que estou à caminho do shopping em busca de algo para comer. Então o senhor Chen, em tom de animação, me diz que tem uma surpresa e me urge a encontrá-lo na saída do metrô em vinte minutos. “Venha de barriga vazia”, diz ele. 

Não sei o que me espera na saída do metrô mas, enquanto caminho em direção à expectativa do melhor sábado que já tive desde que cheguei aqui, recapitulo na minha mente tudo o que sei sobre o senhor Chen. Eu o conheci há pouco tempo em um clube de leitura. Sentamos todos ao redor de uma mesa grande lendo clássicos da literatura chinesa escritos antes mesmo de Cristo ter pisado no mundo.

Em meio a mestrandos e doutorandos em literatura, filosofia e vários professores desses dois departamentos, está o senhor Chen sentado sempre quieto. Ele quase nunca dá opiniões enquanto discutimos os livros porque está sempre de cabeça baixa escrevendo freneticamente em seu caderninho de anotações. Quando terminamos a aula e nos encontramos no salão, eu lhe pergunto a qual departamento pertence e ele me diz sorrindo que é “só o guardinha do prédio”, e que “conhecimento é algo precioso e transformador”, então sempre participa das classes e palestras depois do seu expediente porque acredita que não pode “desperdiçar a oportunidade de estar tão perto desse mundo e não usufruí-lo de alguma forma”. Desde então, o considero uma das pessoas mais interessantes que eu já conheci.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Hoje Wuhan amanheceu linda assim.

Uma publicação compartilhada por Caleb Guerra (@calebwkyz) em

Quando chego às escadas da estação de metrô, vejo o senhor Chen caminhando em minha direção com um sorriso grudado no rosto maior que a lua pendurada no céu. Na mão esquerda carrega uma sacola branca. Ele se aproxima de mim, aperta minha mão e me deseja feliz aniversário, entregando a sacolinha pra mim. Me diz que acabou de cozinhar um mingau de arroz fermentado doce com tâmaras vermelhas pra me dar de presente e que se eu não me importasse, poderíamos procurar algum lugar para sentar e conversar. Caminhamos juntos até o portão sul da universidade, e nos sentamos nas escadarias do pátio.

O senhor Chen embrulhou um potinho de mingau de arroz em oito camadas de sacolinhas brancas “para conservar quente até chegar à você”, diz ele. Está frio, escuro e pouquíssimas pessoas ainda na rua, e alí sentados os dois, começo a ouvir as histórias do senhor Chen sobre sua infância humilde em uma vila pequena ao norte de Wuhan enquanto como o melhor mingau de arroz fermentado com tâmaras que já experimentei. E nesse momento, sinto como se a lua de Wuhan talvez nunca tivera sido tão ofuscada antes pela beleza da simplicidade de alguém que, mesmo com a idade avançada, senta em um campo aberto com o vento frio batendo na nuca só para fazer o aniversário de um forasteiro algo que não deve ser esquecido.

Depois de algumas semanas, o posto de trabalho do senhor Chen foi remanejado para um departamento no outro lado da Universidade. Continuei acompanhando suas publicações online, agora que ele assiste aulas de física quântica e literatura russa. Alguns meses se passariam até eu o encontrar novamente na rua da estação do metrô. Ele me pede uma foto juntos “pra guardar de recordação”, porque decidiu viajar rumo ao sul do país e realizar seu sonho de virar um monge taoísta. 

Nunca mais o vi. Desde semana passada tento contato com ele, mas não obtenho respostas. E eu não consigo parar de pensar na possibilidade do mundo ter perdido uma das pessoas mais doces de Wuhan para o covid19. No começo da semana, insisto em mandar mais uma mensagem. Fecho a nossa janela de conversa, logo um amigo me passa o vídeo de um comediante brasileiro tirando sarro com um rapaz que veio assistir ao seu show. Em meio à piadas, ele pergunta e o rapaz diz que é chinês. Gargalhadas abafam as últimas palavras do comediante enquanto ele resmunga a palavra “coronavírus” fazendo cara feia e saindo de perto do chinês alvo da comédia. Penso no senhor Chen em todos os chineses que não merecem esse tipo de chacota.

O dia 21 de fevereiro de 2020 está acabando e eu já o considero um dos melhores do ano. O senhor Chen finalmente me respondeu. “Desculpe o sumiço” - diz. “Eu voltei para a minha vila e estou como voluntário no trabalho para conter o risco de disseminação. Trabalho desinfetando as áreas públicas e ensinando as pessoas a se proteger”. Ah, senhor Chen, se o mundo pudesse vê-lo! A lua de país nenhum brilharia tanto quanto o sorriso que o senhor leva no rosto já cansado pela idade, mas mais vivo do que nunca pelo amor e compaixão de um dos heróis dessa história toda. Obrigado senhor Chen, por sempre descer das montanhas do seu retiro espiritual para tocar na vida de tanta gente aqui embaixo."

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