Repórter continua seqüestrado; auxiliar descreve crime

O jornalista da Rede Globo de Televisão, Guilherme Portanova, seqüestrado na manhã de sábado, 12, continua em poder de seus seqüestradores, mesmo após a veiculação de um vídeo produzido pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Segundo a assessoria de imprensa da Rede Globo, ainda não há novas informações sobre o caso. O auxiliar técnico Alexandre Calado que, foi seqüestrado junto com Portanova, foi libertado na noite de sábado levando um DVD com a gravação, com a orientação de que o material fosse veiculado na íntegra pela emissora, para garantir a vida do repórter. O vídeo foi divulgado na madrugada de domingo, 13, para todo o Estado de São Paulo, mas ainda não há informação sobre o paradeiro do jornalista. Calado descreveu, no programa Fantástico, da TV Globo, como foi o seqüestro. "Eles renderam a gente na porta da padaria e colocaram dentro do carro. Ficamos sempre com a cabeça baixa e coberta", disse.Segundo Alexandre, ficou claro que os seqüestradores não tinham um alvo específico. "Eles levariam qualquer um de uma das equipes da TV Globo. Podia ser eu, podia ser qualquer um que estivesse lá na hora", disse Calado.O auxiliar técnico disse também que ele e Portanova ficaram a maior parte do tempo sentados no banco traseiro de um dos carros usados no seqüestro, parado no interior de uma garagem, num lugar que não soube identificar. Ele ficou o tempo todo de olhos vendados ou sentado virado para uma parede. Quinze horas depois, Calado foi separado de Portanova. "Daí eu saí desse carro (um Gol vermelho) e o Portanova ficou lá. Eles colocaram ele no porta-malas e me tiraram do carro. Aí eu fiquei na garagem sentado, virado para a parede. Algum tempo depois, fui colocado no porta-malas de outro carro e deixado aqui, a duas quadras da TV Globo", disse Calado, que trabalha há cinco meses na emissora. Após o depoimento de Calado, o apresentador do programa, Zeca Camargo, disse, em nome da TV Globo, que a emissora espera a libertação imediata de Portanova.GravaçãoO vídeo usado pelo PCC para condicionar a libertação do repórter foi gravado na última segunda-feira, 7, mesmo dia em que a facção divulgou o "salve geral" no qual tentava justificar os ataques iniciados na madrugada de domingo.A descoberta da data de geração foi feita neste domingo, 13, pela Rede Globo.A fita teria sido jogada na garagem da sede do SBT, em São Paulo, no mesmo dia, mas a rede não achou interessante exibi-lo. Entretanto, somente na manhã do sábado, 12, após tomar conhecimento do seqüestro, a fita foi entregue ao Ministério Público.Ainda no mesmo dia, no período da tarde, as imagens foram geradas pela Rede Globo à sua afiliada de Presidente Prudente, no Oeste do Estado, onde especialistas analisariam se o material era mesmo criação do PCC. A confirmação saiu em seguida, mas nem a polícia nem o serviço de inteligência da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) acreditavam na possibilidade de que o PCC usaria as mesmas imagens para condicionar a libertação do repórter da Globo. "Isso foi uma surpresa para todo mundo", disse um técnico do serviço de inteligência da SAP.

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