Repórter do 'El País' diz que foi capturado em morro do Rio

Francho Barón esteve no Morro dos Macacos na terça e sofreu ameaças de grupo de traficantes armados

estadao.com.br,

23 de outubro de 2009 | 10h00

“Jornalista, pare de tremer, porque se quiséssemos te matar já teríamos feito isso”, ouviu um repórter do jornal espanhol El País de traficantes que o capturaram no Morro dos Macacos, no Rio de Janeiro, segundo relato publicado nesta sexta-feira, 23.

 

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Francho Barón foi ao local na terça-feira, 19, colher relatos sobre o conflito entre policiais e traficantes que derrubou um helicóptero no último sábado e já deixou 36 mortos.

 

Ele perguntou a um policial na entrada do morro se a situação estava sob controle, como haviam divulgado as autoridades dois dias antes. “Não posso dizer. Aparentemente está tranqüilo, mas não posso garantir nada. Se entrar será sob sua responsabilidade”, respondeu o oficial.

 

O jornalista conta que estava em um dos poucos bares abertos no Morro dos Macacos quando foi surpreendido por um homem entre 40 e 50 anos, sem camisa e com a cabeça raspada, que levava um colar “com um dente de algum grande animal”.

 

“Após me cumprimentar, apareceram vários homens armados com pistolas automáticas e fuzis", conta Francho. "Minha primeira reação foi abaixar a cabeça, colocar as mãos na nuca e ajoelhar-me. Irracionalmente, fico de costas para eles, pois não consigo suportar a imagem das pistolas apontadas para mim.”

 

O jornalista espanhol relata que foi levado para o centro de uma praça, enquanto os traficantes discutiam se deveriam matá-lo ou não. “Como está mentindo, vamos te matar aqui mesmo”, um dos criminosos disse.

 

Após revistá-lo e ver seus documentos, o líder do grupo decide pela sua liberação. “Corra para baixo e não olhe para trás se não quiser ser morto.”

 

Segundo Francho, ao sair da favela ele se aproxima de dois policiais e diz que foi capturado e ameaçado.

“Ele tinham muitas armas?”, questiona o policial. “Sim, muitas. E eles também eram muitos”, responde o jornalista. “Continuam aí dentro...”, conclui o oficial.

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