Repórter que trabalhou com Tim Lopes sofreu ameaças

A vida da jornalista da TV Globo Cristina Guimarães, que co-produziu a reportagem "Feira de Drogas" com Tim Lopes, foi transformada por causa da série. Após a exibição das imagens de traficantes vendendo drogas nas favelas da Rocinha e da Mangueira, gravadas com uma microcâmera, ela disse que passou a receber ligações ameaçadoras e teve de fugir do Estado.Em entrevistas concedidas em janeiro, Cristina, de 38 anos, cujo paradeiro hoje é desconhecido, contou que, em setembro do ano passado - um mês depois de a série ir ao ar, no Jornal Nacional -, foi avisada por funcionários da Globo que moram na Rocinha de que os traficantes da área a haviam jurado de morte. A recompensa a quem a matasse seria de R$ 20 mil, segundo os mesmos funcionários da emissora. A repórter contou que recebera telefonemas feitas em aparelhos da favela, em que o interlocutor a chamava de "dona ferrada". Disse ainda que, em outra ocasião, um homem numa motocicleta bateu no vidro de seu carro e perguntou se ela era Cristina. Ela havia estado na Rocinha e na Mangueira por duas vezes com dois motoqueiros, que também sofreram ameaças. Depois que a série foi exibida, traficantes foram identificados pela polícia e presos.Assustada, ela passou a dormir a base de calmantes. Em novembro, entrou na Justiça do Trabalho contra a TV Globo - ela acusa a emissora de não tê-la protegido. Com o intuito de deixar o País sob proteção da Anistia Internacional, a jornalista procurou a advogada Cristina Leonardo, da Organização Não-Governamental Centro Brasileiro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, para que ela fizesse o contato com a entidade. Hoje, o paradeiro de Cristina é desconhecido. Procurada pelo Estado, a advogada não foi encontrada para dar informações sobre Cristina.

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