Represa é citada em grampo como possível local de desova do corpo de Amarildo

Policiais civis estiveram no local mas, após cinco horas, não tiveram sucesso na busca pelos restos mortais do pedreiro

Marcelo Gomes, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2013 | 17h25

RIO - Após cinco horas, terminou sem sucesso por volta das 15h desta sexta-feira (11) a procura pelos restos mortais do pedreiro Amarildo Souza, de 43 anos, em duas represas na mata na Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. A busca foi realizada devido à existência de uma escuta telefônica, na qual a represa do Laboriaux é citada como possível local de desova do corpo da vítima. O grampo consta do relatório final do inquérito da Divisão de Homicídios que apurou o sumiço de Amarildo, ao qual o Estado teve acesso. Os agentes também estiveram na represa da Dioneia, que fica próxima. Cerca de 30 policiais civis, acompanhados de 40 bombeiros, participaram do trabalho, que contou com mergulhadores e cães farejadores.

A escuta na qual a represa do Laboriaux é citada foi realizada no inquérito da 15ª DP (Gávea) que resultou na Operação Paz Armada, desencadeada em 13 de julho, véspera do sumiço de Amarildo. A operação prendeu dezenas de pessoas suspeitas de envolvimento com o tráfico na Rocinha. Por falar do possível local de desova do corpo de Amarildo, o diálogo foi compartilhado com o inquérito da DH.

A conversa em questão foi gravada em 24 de julho, e dura 1 minuto e 52 segundos. O diálogo grampeado ocorreu entre um traficante identificado apenas como Espinha e um interlocutor não identificado. A represa do Laboriaux é falada por pessoas não identificadas que conversavam ao fundo do diálogo principal.

"Existe a possibilidade de que as pessoas não identificadas ao fundo estivessem conversando sobre a morte de uma pessoa de alcunha 'Boi' e que seu possível assassino de nome 'Vidal ou Vital' teria jogado o seu corpo na parte alta da Rocinha, na represa Laboriaux", assinala o relatório final do inquérito da DH. Boi é o apelido de Amarildo na favela, conforme diversas testemunhas ouvidas. Já Vital é o sobrenome de um dos dez policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha indiciados e presos preventivamente por tortura seguida de morte e ocultação do cadáver de Amarildo: o soldado Douglas Roberto Vital Machado, conhecido como Cara de Macaco.

Com cerca de seis metros de profundidade, a represa do Laboriaux foi esvaziada há dois dias, a pedido da DH. Já na represa da Dioneia, que tem cerca de 3 metros de profundidade, foi necessária a ajuda de mergulhadores dos bombeiros para vasculhar o local.

A delegada Elen Souto, que presidiu o inquérito da DH, disse que não pretende realizar novas buscas pelo corpo de Amarildo na Rocinha, a não ser que surjam novas informações sobre seu paradeiro. Ela aguarda o resultado dos exames de DNA feitos em oito cadáveres com características semelhantes às do pedreiro, localizados em diferentes municípios do Estado do Rio.

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