Representantes de donos de vans se reúnem com Garotinho

Representantes dos motoristas de vans que realizaram uma manifestação que levou o caos ao trânsito no centro do Rio estão reunidos com o secretário de Estado de Governo e Coordenação, Anthony Garotinho. Muitos vestem do avesso a camisa usada no protesto, com a inscrição "Garotinho vai acabar com as vans".Na manhã de hoje, cerca de 1.200 veículos estacionaram ao longo da Avenida Presidente Vargas, interrompendo o tráfego. Os manifestantes exigiam o cancelamento de um edital de licitação do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro-RJ), que segundo a categoria vai reduzir o número de vans circulando no Rio de Janeiro e ameaçaram permanecer na avenida por tempo indeterminado.As vans começaram a chegar à Presidente Vargas, uma das principais vias de acesso ao centro, por volta das 4 horas. Os carros foram parados na pista central e se concentraram num trecho entre a Central do Brasil e a Candelária. O horário mais crítico foi entre 7 horas e 9 horas. Passageiros desceram dos ônibus e seguiram a pé para o trabalho, motoristas ficaram parados por até uma hora. O comandante do Batalhão de Policiamento do Trânsito (BPTran), tenente-coronel Ricardo Pacheco, negociou com os manifestantes para que os cruzamentos não fossem fechados, inclusive o da Avenida Rio Branco, centro financeiro da cidade. Um manifestante foi preso por porte ilegal de armas.Os motoristas das vans criticaram o edital do Detro, que começa a licitar amanhã as linhas de transporte alternativo, depois de determinação judicial da 4.ª Vara de Fazenda Pública. "Eles vão cortar 97% das vans do Estado. Em vez de cumprir a promessa de campanha de permitir a circulação de 3.300 carros, eles vão cortar os 1.780 que têm autorização. Não vamos arredar pé se a licitação não for suspensa", afirmou o presidente da Federação das Cooperativas de Transporte Alternativo Intermunicipal do Estado (Fecotral), Mário Sérgio Teixeira. "Estamos nos organizando para ir a Brasília. Vamos pedir uma audiência com o presidente Lula".Os manifestantes lembraram que compraram veículos novos, adequaram seus carros às especificações do Detro e fizeram o seguro obrigatório de R$ 38 mil por passageiro. "Como vamos arcar com essas dívidas todas se perdermos nossos empregos? O transporte alternativo emprega 20 mil pessoas direta e indiretamente e transporta 600 mil pessoas por dia", afirmou Edson da Silva Mota, presidente da Cooperativa de Transporte Alternativa Pacheco e Sacramento.O presidente do Detro, Rogério Onofre, garantiu que não haverá redução das autorizações. "Essa manifestação esconde interesses de um grupo que ficou insatisfeito com as novas regras. Somente pessoas físicas podem participar das licitações, e não as cooperativas. Hoje, essas cooperativas são donas de 50, 60 licenças e alugam essas autorizações, negociam como bem entendem. É bom lembrar que a máfia das vans já matou cerca de 100 pessoas no Estado, nos últimos anos".

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