Requião descarta ligações entre rebeliões de São Paulo e do Paraná

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), rechaçou nesta segunda-feira qualquer influência da facção criminosa PCC com as rebeliões ocorridas em seis cadeias públicas do Estado. "Nada a ver com o PCC", ressaltou. "Tivemos demonstrações claras de insatisfação em delegacias de polícia." Para ele, a motivação dos protestos, que não atingiram penitenciárias, foi a superlotação, que ele garante será solucionada com a entrega de 12 penitenciárias, num total de 11 mil novas vagas.O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, qualificou as rebeliões de "manifestações oportunistas". "Aproveitaram o momento de instabilidade criado em São Paulo para colocar suas reivindicações", disse. "A ligação direta, uma coordenação, não fica identificada em momento algum, o que não significa que não haja relação." Ele acredita que, de alguma forma, as informações sobre o que acontecia em São Paulo chegaram aos presos, que decidiram realizar também seus protestos.Essa análise foi considerada "ingênua" pela presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná, Sandra Márcia Duarte. "Nós estamos muito preocupados porque o governo está tratando o problema de forma ingênua", disse. "E o PCC está atento." Para ela, o simples fato de os presos estenderem uma bandeira do PCC durante a rebelião no Cadeião de Foz do Iguaçu é sinal de participação do movimento. "O preso sabe que, se usar o nome do PCC e não tiver autorização, ele está morto", afirmou. Os agentes devem fazer um protesto quinta-feira contra mudanças na escala de trabalho e pedindo mais segurança.O advogado Dálio Zippin Filho, membro do Conselho Penitenciário, também é taxativo ao afirmar que há coordenação do PCC e de um possível Primeiro Comando do Paraná (PCP) no que aconteceu domingo e nesta segunda-feira no Paraná. "O que me preocupa é a minimização da potencialidade do PCC e do PCP", acentuou. "Eles estão articulados mais que as autoridades oficiais", reforçou. "Só um cego não está vendo a organização dos movimentos nos últimos dias."RebeliõesNo Paraná as rebeliões começaram no domingo. Em três locais - Assis Chateaubriand, Toledo e Cascavel, todas no oeste do Estado - foram encerradas no mesmo dia. A de Umuarama, no noroeste, foi controlada na manhã desta segunda-feira. Em Foz do Iguaçu, no oeste, e em Campo Mourão, no centro-oeste, registraram-se as situações mais graves.Em Foz, quatro pessoas - três presos e um funcionário - eram mantidos reféns. A rebelião demorou 24 horas e foi encerrada por volta das 10 horas da manhã desta segunda-feira. Um refém machucou-se mais gravemente, com fratura na perna, ao pular de uma altura de cerca de 10 metros para escapar da fúria dos companheiros. Além da destruição nas instalações, foram queimados dois carros policiais e um particular, que estavam no pátio.Em Campo Mourão, a revolta começou no domingo à noite e foi encerrada por volta das 11 horas de ontem. Havia sete detentos e um policial como reféns. Em todas, além da reclamação pela superpopulação, juntaram-se os pedidos por melhores instalações e revisões de pena. Nenhuma das rebeliões precisou do uso de força policial para o término. As autoridades prometeram estudar as reivindicações.Segundo o secretário da Justiça e da Cidadania, Jair Ramos Braga, as 22 unidades do Sistema Penitenciário mantêm a rotina normal. Sem a necessidade de reforço no policiamento. "O governo do Estado tem a segurança reforçada. Nunca afrouxamos com a segurança das penitenciárias", disse pela manhã o governador Requião. Mas os policiais foram orientados para ficarem mais atentos. "O alerta sempre existe, mas é claro que em razão da situação de São Paulo estamos mais alertas ainda", afirmou o secretário de Segurança Pública.

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