DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Reservatórios atingem pior nível registrado no DF

No Ceará, situação de emergência afeta 68% dos municípios e Fortaleza estipula multa para quem não reduzir consumo de água em 20%

Ligia Formenti e Carmen Pompeu, O Estado de S. Paulo

26 Setembro 2016 | 03h00

BRASÍLIA e FORTALEZA - A ausência de chuvas fortes, o calor e o aumento do consumo fazem com que Brasília enfrente a pior crise hídrica da história. O principal reservatório de abastecimento da região, a Barragem do Rio Descoberto, atingiu na quinta-feira 37,2% da capacidade, o menor porcentual até hoje registrado. O ideal é que o nível da água seja superior a 60%. No reservatório de Santa Maria, a situação também é preocupante. O nível está em 48,7% de sua capacidade. 

A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal declarou na semana passada estado de alerta e, na quarta-feira, racionamento no DF. O governo distrital mandou os órgãos públicos reduzirem 10% o consumo. 

Desde a primeira quinzena de setembro, a interrupção do fornecimento de água é feita em forma de rodízio pelas regiões do DF que, juntas, abrigam 2,8 milhões de pessoas. Cinco cidades (São Sebastião, Planaltina, Vale do Amanhecer, Jardim Botânico e Sobradinho) e a Asa Norte, no Plano Piloto, foram afetadas. Nos últimos três dias, Brasília registrou chuvas esparsas. 

O volume de águas dos dois reservatórios é suficiente para abastecer a região por 65 dias. Uma das medidas estudadas para redução do consumo é cobrar tarifa extra. 

Além da redução do nível das barragens, a vazão de rios caiu de forma drástica. “Brasília vive um período de seca nesta época do ano. Mas em 2016 a seca começou mais cedo”, diz o diretor da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Marcelo Teixeira. 

O ciclo de chuvas na região da Barragem do Rio Descoberto, que abastece 65% do DF, é o quarto menor desde 1979. Por enquanto, Teixeira diz que a Caesb está fazendo “manobras operacionais” com “interrupção temporária de fornecimento”. “Caso não seja suficiente, será preciso fazer o racionamento.” 

Ceará. Com chuvas abaixo da média desde 2012, o Ceará atravessa o quinto ano consecutivo de seca. Fortaleza começou a cobrar multa para quem não reduzir o consumo de água em até 20%. No Estado já são 126 cidades em estado de emergência, ou seja, 68% dos 184 municípios cearenses, segundo o Ministério da Integração Nacional. Nos últimos dois anos, o estoque de água nos açudes do Ceará caiu de 28,8% para 9,3%. 

Nas cidades do interior, o abastecimento tem sido assegurado com a ajuda de carros pipas, com perfuração de poços e construção de adutoras de montagem rápida. A falta d'água também já começa a atingir bairros de classe média em Fortaleza. Moradores e comerciantes da Varjota, bairro que concentra um importante corredor gastronômico da cidade, passaram quase uma semana sem água nas torneiras. 

Na casa da jornalista Paulla Pinheiro, a caixa d'água secou e a família ficou sem água por quase cinco dias. A roupa acumulou na área de serviço; a louça, na pia. A prioridade passou a ser o banho. “Mamãe tem um imóvel alugado do lado de casa que não gasta muita água. Aí meu irmão enchia baldes lá e trazia para casa. Se não fosse isso, quero nem pensar”, relata Paulla. 

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informa que o abastecimento na capital está normalizado. O diretor-presidente da empresa, Neuri Freitas, reconhece que em alguns pontos da cidade o abastecimento tem apresentado problemas em áreas mais elevadas.

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