Resgate já encontrou 143 corpos de acidente da Gol

As equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e Exército tentam localizar os últimos 11 corpos de vítimas da queda do Boeing 737-800 da Gol, no dia 29, na divisa entre Mato Grosso e Pará. Até a tarde de segunda-feira, 9, foram resgatados 143 dos 154 mortos no mais grave acidente da aviação brasileira. Em Brasília, o Instituto Médico-Legal (IML) conseguiu identificar 90 dos 106 corpos transportados da Fazenda Jarinã, base das operações de resgate, até a capital federal.Os peritos de Brasília reconheceram nesta segunda-feira mais 29 vítimas do acidente. Pela manhã, 12 corpos tinham sido identificados por impressões digitais, com exceção do menino Daniel de Abreu Lleras, de 5 anos, para o qual foi necessário exame de DNA. Ele viajava no avião com o pai, o publicitário Mário Lleras, e a avó, a bióloga Ângela Leite.Uma comissão de oito índios kayapós e dois funcionários da Funai estiveram na segunda na fazenda Jarinã, no Município de Peixoto de Azevedo (MT) para se colocar mais uma vez à disposição da Força Aérea Brasileira para ajudar no resgate dos corpos das vítimas. Eles já haviam feito isso no dia 1º, quando passaram pela Jarinã antes de entrar na selva, rumo ao local do acidente.Os índios encontraram os destroços do Boeing no dia 3, mas não puderam ficar lá para não atrapalhar os trabalhos, já que é imprescindível para os peritos encontrar as peças do avião, os corpos e objetivos pessoais das vítimas intactos.Os kayapós, então, montaram um acampamento a 6,2 quilômetros da clareira principal aberta pelos militares. Até ontem, havia 22 índios acampados lá. ?Nós está aqui. Nós vai lá e não vai deixar ninguém pegar nada?, disse o cacique dos kayapós na região, Megaron Txucarramãe. Os índios estão ajudando a preservar o local do acidente para impedir a entrada de estranhos. Segundo Megaron, cinco pessoas que chegaram ao local de canoa,pelo rio Jarinan, foram impedidas, pelos kayapós, de roubar pertences das vítimas. O cacique disse ainda que ficará no local até o fim dos resgates.Em conversa com o coronel Henry Wender, da comunicação social da Aeronáutica, o cacique reiterou a disposição dos índios de abrir picadas (pequenas clareiras) na mata, para ajudar no trabalho dos militares.Wender agradeceu a oferta e disse ao cacique que informaria o brigadeiro Jorge Kersul, coordenador das Froças Armadas no local do acidente, que pode decidir sobre o reforço.Como os índios, durante a conversa, disseram ter visto cerca de 20 corpos perto do acampamento, Kersul determinou que uma equipe de resgate fosse deslocada para lá, a fim de verificar a informação.Além disso, o brigadeiro irá pessoalmente ao acampamento conversar com os índios, explicar por que eles não foram integrados à missão de busca e resgate num primeiro momento e dizer que existe a possibilidade de haver trabalho conjunto no futuro.

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