Resgate só localiza parte dos balões de vôo de padre

Religioso está desaparecido desde domingo, quando decolou com 1 mil bexigas; ele foi desviado para o mar

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

23 Abril 2008 | 00h00

Pelo segundo dia seguido, equipes da Marinha, da Polícia Militar e da Força Aérea Brasileira (FAB) não tiveram sucesso nas buscas pelo padre Adelir De Carli, de 41 anos, que está desaparecido provavelmente no litoral de Santa Catarina. Ele tentava fazer um vôo de 20 horas, sentado em uma cadeira içada ao ar por balões de festa, cheios de gás hélio. A decolagem foi por volta das 13 horas de domingo, em Paranaguá, no litoral do Paraná. Às 21 horas do mesmo dia, ele entrou em contato com o Grupo de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), de Joinville (SC), dizendo que estava pousando no mar. Seu destino original era o interior do Paraná. O equipamento que o padre levava era composto por mil balões. Alguns tinham sido avistados no mar na segunda-feira. Ontem, no início da manhã, um conjunto deles foi percebido na região de Porto Belo, ao sul de São Francisco do Sul, onde as buscas concentraram-se no dia anterior. Por volta do meio-dia, outro grupo foi avistado a 50 quilômetros de distância da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis)."À primeira vista são apenas balões", disse o comandante do Graer, capitão Nelson Coelho. "Para quem trabalha na área de resgate, a esperança é a última que morre", disse o capitão. Na Igreja São Cristóvão, em Paranaguá, onde padre Adelir é pároco, grupos estão em vigília de oração. O padre também trabalha na Pastoral Rodoviária, que tem como objetivo dar assistência espiritual e social aos caminhoneiros. Com o vôo, ele queria chamar a atenção para a pastoral. Segundo as informações das pessoas que trabalham na equipe de apoio do padre, ele estava vestido com uma roupa térmica, tinha água potável e barras de cereais. Para o capitão do Graer, o encontro dos balões mostra a direção para a qual está seguindo, caso o padre esteja preso a alguns deles. O rastreamento de uma das ligações feitas pelo padre, às 19 horas de domingo, mostrou que ele estava a 40 quilômetros da costa. Quando caiu, pouco antes das 21 horas, a coordenada que ele informou era de cerca de 20 quilômetros da costa. O Graer informou ter encerrado ontem sua participação no resgate, em razão de a área de busca ter-se ampliado em direção ao sul. As buscas continuam com um helicóptero da PM de Santa Catarina, outro da Marinha, que também tem quatro embarcações, e um avião da Força Aérea Brasileira. O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informou ontem que as autorizações para que o padre fizesse esse vôo não deveriam ter partido da Aeronáutica. Na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no Aeroporto Afonso Pena , um funcionário que se identificou como Barbosa disse que "era uma operação por conta e risco dele".

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