Resgate trabalha em cenário de destruição sob olhar de curiosos

Bombeiros tem dificuldades em realizar os trabalhos; cenário no local é de destruição

MAURÍCIO SAVARESE, REUTERS

18 de julho de 2007 | 16h04

Uma fumaça espessa ainda podia servista nesta quarta-feira no local do acidente do avião da TAM,na região do aeroporto de Congonhas em São Paulo. Ao tentaraterrissar em meio à chuva na noite de terça, a aeronaveatravessou uma avenida movimentada, se chocou contra prédios eum posto de gasolina e pegou fogo, dificultando os trabalhos deresgate e deixando um cenário de destruição. O Airbus A320 da TAM fazia a rota Porto Alegre-São Paulo,com 186 pessoas a bordo. "Não se sabe o que é de um prédio, o que é do outro, o queé do posto (de gasolina), o que é do avião, o que é passageiromorto, o que é passante que foi atingido. Tornou-se tudo umacoisa só", disse à Reuters o médico Douglas Ferrari, presidentedo Instituto Brasileiro de Terapia Intensiva, que estava nolocal do acidente de onde foram retirados até o início da tarde165 corpos. "Levamos entre quatro e cinco horas só para chegar ao localdo avião. Quando chegamos foi o esperado: não havia um traço devida e apenas alguns corpos teriam uma chance mínima de seremidentificados", acrescentou o médico, que chegou à área às 19hde terça-feira, 15 minutos depois do acidente. Um dos prédios atingidos pelo avião foi o da TAM Express,onde havia funcionários trabalhando. Segundo o coordenador daDefesa Civil Jair Paca de Lima ainda há preocupações quanto àestrutura do edifício, que pode ceder e danificar as casas aoredor. Ao todo 27 casas foram interditadas preventivamente. Além das equipes de resgate, máquinas estão trabalhando naretirada de escombros. O cheiro de queimado ainda pode sersentido no aeroporto e nas áreas próximas. Para o diretor do Departamento de Polícia Judiciária, AldoGaliani, esse foi o pior cenário que ele já viu em 32 anos detrabalho na polícia em São Paulo. Galiani afirmou ainda que a prioridade é a remoção eidentificação das vítimas e que provas e outros elementos paraa investigação do acidente, que não se deterioram, serãoretirados depois. "Neste momento nós estamos mais preocupados com o ladohumano de identificação e resgate das vítimas", disse ele ajornalistas no local onde estão os restos do avião. Boa parte da calçada em frente ao aeroporto estava tomadapor curiosos com câmeras de vídeo e celulares para tirar fotos.A cada momento em que um avião partia do aeroporto, quasetodos, incluindo médicos e policiais, olhavam para o céu. Parentes e amigos de vítimas do acidente continuam chegandoao aeroporto. Garis, com máscaras de proteção, aguardavam aautorização de policiais para entrar na cena do acidente, opior da história da aviação brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou nestaquarta-feira a abertura de um inquérito policial parainvestigar a responsabilidade de algum órgão público comrelação à pista de vôos e decolagens do aeroporto, que passourecentemente por reformas e foi reaberta no final de junho.Após ser informado do acidente na terça, Lula decretou luto detrês dias no país. Em outubro de 1996, a região próxima ao aeroporto deCongonhas viveu outra tragédia. Um avião da TAM caiu logo apósa decolagem, matando 99 pessoas, incluindo três vítimas fataisem terra. Segundo laudo divulgado à época, uma falha noequipamento provocou o acidente. Até o acidente de terça-feira, a queda de um Boeing da Golno Mato Grosso, que matou todas as 154 pessoas a bordo, era omaior desastre da aviação nacional. (Com reportagem de Sérgio Spagnuolo)

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