Residencial tem receita maior que a de 591 cidades

Portal dos Bandeirantes arrecada R$ 24 milhões, [br]mais do que Campos do Jordão registra em impostos

Bruno Paes Manso e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

30 Agosto 2008 | 00h00

Na quarta-feira, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) inaugurou seu comitê eleitoral na zona norte de São Paulo. Estiveram presentes o subprefeito de Pirituba, José Augusto Darcie, e o "subprefeito do Portal dos Bandeirantes", Geraldo Magalhães Raghi. A brincadeira, feita pelos presentes, fazia referência ao tamanho do condomínio administrado por Raghi, síndico de um conjunto de 27 torres, com 2.826 apartamentos, onde vivem 13 mil pessoas. Se fosse uma cidade, o Portal dos Bandeirantes seria mais populoso do que 318 dos 645 municípios do Estado de São Paulo. A receita anual do condomínio, de R$ 24 milhões, é maior do que a arrecadação de impostos municipais de 591 cidades paulistas. A soma das taxas condominiais é semelhante ao total arrecadado em impostos por uma cidade como Campos do Jordão. "Também arrecadamos mais do que a Subprefeitura de Pirituba, bairro onde estamos localizados. Não desligo durante as 24 horas do dia", diz Raghi, que é síndico profissional e não mora no prédio. Para administrar o dia-a-dia do Portal, há um pequeno exército de 300 funcionários contratados. Dentro do condomínio, cerca de 10 quilômetros de ruas estão espalhadas por 130 mil metros quadrados, tamanho que correspondente ao de 26 campos de futebol. São 86 elevadores, 3.120 vagas de estacionamento, uma saída direta para a Estação Piqueri da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM), procissões em dias festivos, missas semanais, um minimercado, locadora, pizzaria, lanchonete, dentista, todos voltados para o amplo mercado local. No fim de semana, cerca de 2 mil carros vindos de fora passam pela portaria. Para colocar a casa em ordem, a administração aplica em média de 150 a 200 multas mensais. A maioria está relacionada a reclamações por barulho. Para cobrar os inadimplentes, o condomínio tem atualmente mais de 300 ações na Justiça. Depois que contratou uma assessoria jurídica para cuidar de perto dos inadimplentes, Ragui conseguiu diminuir o passivo de R$ 5 milhões para R$ 2 milhões. Chegou a mandar seis apartamentos de devedores para leilão, conseguindo retomar dois deles. "Para o devedor, é preciso fechar o cerco. No caso do descumprimento das regras internas, mudamos a tática. Em vez da imposição, estamos trabalhando para aumentar a conscientização dos moradores, com informes e cartazes menos agressivos", diz Raghi. Os três anos de gestão do síndico atual acabaram sendo aprovados pelos moradores. A reeleição, ocorrida no ano passado, foi o principal termômetro de seu mandato. Na fase pré-eleitoral, a campanha rolou solta, com santinhos e boca-de-urna. Dos cerca de 1.200 votos, Raghi obteve cerca de 600. Havia sido eleito para o primeiro mandato com 196 votos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.