Restauração revela censura em quadro

Masp volta a exibir tela de Poussin

Camila Molina, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

01 de setembro de 2009 | 00h00

Depois de um processo que se iniciou em janeiro, o quadro Hymenaeus Travestido Durante Um Sacrifício a Príapo, pintado aproximadamente entre 1634 e 1638 pelo francês Nicolas Poussin (1594-1665), poderá ser visto em sua totalidade no Museu de Arte de São Paulo (Masp), que o tem como um dos destaques de sua coleção. Desde o início do ano, a obra passava por cuidadosa restauração que terminou na semana passada. Ontem, a restauradora Regina Costa Pinto Moreira apresentou no museu o trabalho terminado. A tela, que mede 3,73m de comprimento por 1,66m de altura, está em sua inteireza não somente porque tem as cores e detalhes novamente realçados, mas porque apresenta uma surpresa: durante o restauro, um novo elemento foi descoberto por baixo das camadas de tinta: um falo ereto como parte da figura de Príapo, deus dos jardins e da fecundidade, tal qual foi pintado originalmente por Poussin."Sabia que poderia existir o falo porque Príapo sempre é representado em sua nudez. Acredito que a tela sofreu o que se chama de repinte de pudor porque desde o século 18 já estava encoberto", diz Regina, contratada do Museu do Louvre desde 1973. O museu vai inaugurar no dia 8 para convidados e no dia 9 para o público (com entrada franca) uma mostra que apresenta o quadro e imagens sobre a restauração. A ação foi uma das atividades do Ano da França no Brasil, contou com profissionais dos dois países e patrocínio de 200 mil euros da CNP Assurances e Caixa Seguros. Desde que a tela entrou para a coleção do Masp, em 1958, comprada da Galeria Wildenstein de Nova York, nunca havia sido restaurada. Segundo Regina, a obra tinha tantos repintes e até danos, que historiadores como o francês Jacques Thuillier, que esteve no Masp há 20 anos apenas para ver o quadro, duvidaram de sua autenticidade.

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