Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Restauro de 'Guerra e Paz', de Portinari, termina nesta sexta-feira no Rio

Painéis ficaram expostos ao público durante restauração; em agosto estarão em São Paulo

Tiago Rogero, estadão.com.br

20 de maio de 2011 | 12h07

RIO - Terminam besta sexta-feira, 20, os trabalhos de restauração dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, que desde fevereiro eram realizados no Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio. É a última oportunidade dos cariocas de conferir as obras antes que sigam para São Paulo, onde serão expostas em agosto e setembro. Desde o início da restauração, aberta ao público, mais de 5 mil pessoas visitaram os painéis no Palácio Capanema.

 

A capital paulista será o ponto de partida para exposições itinerantes. De lá, os painéis devem seguir para China, Índia, Rússia e Noruega, até que retornem à sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em 2013. A ida para São Paulo foi sacramentada há uma semana com a assinatura de um contrato de patrocínio entre o Projeto Portinari e a holding Brazilian Finance & Real Estate (BFRE), que vai investir R$ 2,5 milhões. A exposição será gratuita e o local deve ser a Oca do Parque do Ibirapuera.

 

Confeccionados a pedido do governo brasileiro como um presente à sede da ONU, os painéis Guerra e Paz ficaram expostos por 56 anos no hall de entrada da Assembleia Geral, restrito à maioria dos visitantes. Em dezembro do ano passado, voltaram ao Brasil para uma exposição no Theatro Municipal do Rio.

 

Segundo o filho do artista e diretor do Projeto Portinari, João Candido Portinari, ver a obra voltando a ter as cores originais é "quase mágico". João Candido também se disse emocionado por saber que o local é o mesmo onde o pai foi velado, em 1962. "É como se fosse um renascimento da mensagem e da obra dele", disse.

 

O coordenador dos trabalhos de restauração, Edson Motta Júnior, afirma que entre 80% e 90% das cores originais foram recuperadas. De acordo com o restaurador, na ONU os painéis ficaram expostos à luz por meio de uma janela de vidro, e o sol se punha "em cima" deles. Houve também o acúmulo de sujeira e fuligem ao longo dos anos. "O que se perdeu pela luz, o que desbotou, não conseguimos recuperar".

 

Inédito. Em São Paulo, os painéis serão expostos pela primeira vez junto com os estudos preparatórios de Portinari para as obras. São cerca de 180, entre esboços e reproduções em telas, que estavam em coleções particulares ou bancos. "Nem meu pai teve a oportunidade de vê-los juntos", disse João Candido.

 

Segundo ele, a decisão de levar a exposição para os demais países dos BRICs partiu do Ministério das Relações Exteriores. "Também estamos em um processo avançado de negociação para levar os painéis para a Noruega, no fim de 2012, para que a cerimônia de entrega do Nobel da paz seja feita com eles de fundo", disse. Antes de retornarem à sede da ONU, é possível que Guerra e Paz sejam novamente expostos no Rio de Janeiro.

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