Restauro de painel de teatro começa em 1 mês

Obra de Di Cavalcanti não foi destruída por incêndio

O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

O restauro do painel de Di Cavalcanti que decora a fachada do Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo, deverá começar a ser feito em 30 dias. A avaliação preliminar da obra teve início anteontem. Trabalhadores da empresa RR Compacta dividiram o painel, que tem 48 metros de largura por 8 metros de altura, em pequenas áreas - e cada espaço será examinado com a ajuda de um pequeno martelo."Com esse trabalho identificamos as regiões do painel que precisam de atenção", explica o representante da empresa, Marco Antonio Roverelli. A obra, inaugurada juntamente com o teatro, em 1950, não sofreu danos aparentes após o incêndio que destruiu grande parte do espaço cênico, em agosto deste ano.Segundo Roverelli, os restauradores podem encontrar problemas estruturais, de descolamento, infiltrações e fissuras. "Algumas pastilhas que compõem o mosaico caem e corremos para recolher, como se fossem diamantes", observa o administrador do teatro, Paulo Calux. Os índices de descolamento, entretanto, são baixos. "A obra está bem conservada", diz.O painel será a primeira parte do edifício a ser restaurada, por causa do trabalho meticuloso que é necessário ser realizado. Após 30 dias de avaliação, a recuperação será iniciada e tem previsão para ser concluída em um prazo de dez meses.No dia 18, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) aprovou a reconstrução do Teatro Cultura Artística. Como detalhou o Estado, o novo espaço vai preservar apenas o grande mosaico de Di Cavalcanti e parte das fachadas e foyers originais. De resto, será um Cultura Artística totalmente novo, com direito a garagem subterrânea e uma única sala adaptável para receber espetáculos de dança, peças teatrais e até shows musicais.O teatro original, construído entre 1947 e 1950 pelos arquitetos Rino Levi, Roberto Cerqueira César e Fª Pestalozzi, possuía duas salas distintas - a Esther Mesquita, com 1.156 lugares, e a Rubens Sverner, com 339 lugares. O local terá agora apenas uma sala, com mais espaço para a platéia, para o palco e para o fosso, que poderá ser usada em diferentes eventos. Também serão construídos pelo menos dois andares para camarins, salas de apoio, espaços para ensaio e escritórios, além de um pavimento subterrâneo com vagas para estacionamento. TERRENOSCom projeto do arquiteto Paulo Júlio Valentino Bruna, que trabalhou com Rino Levi, o novo espaço ocupará dois terrenos - o do próprio teatro que pegou fogo e mais uma área anexa que já pertencia à Sociedade Cultura Artística. Ainda não há valores nem prazo para início das obras.

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