Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Restrição a prévias no PT divide partido

Mudança em estatuto deve ser aprovada em setembro, mas desagrada a pré-candidatos

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2011 | 00h00

Defendida pela comissão que prepara a reforma do estatuto do PT, a ideia de restringir as prévias para a escolha dos concorrentes a prefeito, governador e presidente divide o partido. Dirigentes acreditam que é preciso conter as disputas internas e "monitorar" o confronto onde a sigla é governo, mas pré-candidatos às eleições municipais de 2012 temem ver o direito cerceado.

Para o secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) está "absolutamente certo" ao dizer que "seria um desastre" o PT promover uma prévia em São Paulo para definir o candidato à sucessão de Gilberto Kassab.

"O PT não pode ser o PSDB, que só decide o candidato em reunião de caciques tomando vinho, mas também não pode continuar como hoje, em que qualquer um vai lá disputar e as pessoas ficam se matando", afirmou Vargas. "Prévia virou competição de egos. As vaidades devem ser postas de lado, pois os prejuízos podem ser grandes para nós, que governamos o Brasil."

Em entrevista ao Estado, Carvalho disse concordar com propostas da comissão que debate a reforma do estatuto do PT, aumentando as exigências para realizar prévias. "No caso de São Paulo, o PT deve ter maturidade para chegar a um entendimento", avaliou. Na capital, são pré-candidatos o ministro Fernando Haddad (Educação), os senadores Marta Suplicy e Eduardo Suplicy e os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini.

Cúpula. Coordenada pelo deputado Ricardo Berzoini (SP), a comissão preparou um anteprojeto de reforma do estatuto que será debatido no 4.º Congresso da sigla, em setembro. O texto é preliminar e pode receber emendas, mas já indica o caminho defendido pela cúpula petista, com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diz o anteprojeto que o diretório da sigla poderá decidir não realizar prévias, desde que tenha aval de dois terços dos integrantes. Nesse caso, a escolha ocorrerá em encontro de delegados. Para se habilitar à disputa, o pré-candidato deverá ter apoio de 30% dos delegados ou 20% dos filiados, o dobro do exigido hoje.

Trata-se de uma medida de precaução para evitar que a luta interna em capitais ou Estados estratégicos fique fora de controle por parte da cúpula petista e do Palácio do Planalto. A tendência é de aprovação da proposta.

Prévias para a corrida ao Senado devem acabar. Para prefeito, governador e presidente, a consulta aos filiados será mantida no papel, mas submetida à decisão das instâncias superiores. Na prática, o script traçado é para dificultar a convocação de primárias. "Dirigente bom é o que não incentiva a prévia, e sim o acordo", disse o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi.

Disposto a entrar na briga, Tatto afirmou que o PT não pode mudar a regra no meio do jogo. "Para não virar casuísmo, os novos critérios devem valer só para 2014", argumentou. "Temos de discutir propostas mais abrangentes para São Paulo. Não está na hora de entrar nessa polêmica", observou Zarattini. Marta preferiu o silêncio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.