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Retomado no início do ano, restauro do Paço Municipal ganha toque de modernidade

Trabalhos ficaram embargados por três anos, depois que as escavações revelaram a existência de urnas funerárias indígenas

Liege Albuquerque, estadao.com.br

24 de junho de 2011 | 11h18

A delicadeza do trabalho nas pequenas esculturas de papel maché que vão forrar o teto do salão principal do Paço Municipal de Manaus, que está sendo restaurado, recebe uma intervenção da modernidade para acelerar a obra: as formas de silicone.

Feitas originalmente uma a uma, manualmente ou em antigas formas de metais no início do século passado, as andorinhas em perfeita imitação do original saem às dúzias das formas cor-de-rosa.

"Sem isso, o trabalho demoraria bem mais já que há muitos desenhos incompletos, obrigando-nos a fazer verdadeiros quebra-cabeças para encontrar a estética inteira. Além da celeridade, as formas de silicone ajudam a deixar o desenho muito próximo ao original", revela a restauradora mineira Juliana Fabrino, em Manaus há um mês para a restauração das obras de arte em papel maché do Paço e do brasão do Mercado Municipal de Manaus, também em obras na capital.

Segundo Fabrino, as esculturas em formatos diversos que ornamentam o alto-relevo de 102 metros quadrados do forro de uma das doze salas do Paço revelaram uma curiosidade. "Elas são feitas em papel maché e colé, ou seja, várias folhas coladas umas às outras", explica. As folhas, bastante oxidadas, ainda permitem ver algumas palavras de jornais alemães.

História 

O Paço, inaugurado em 1905, foi a sede da prefeitura de Manaus até 1996, quando abrigou uma secretaria até 2006. Nesse ano, foi iniciada uma reforma no prédio, embargada por três anos pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan) por conta de as escavações na frente do Paço terem revelado a existência de urnas funerárias indígenas.

A obra foi retomada no inicio desse ano pela Prefeitura, depois do rompimento do convênio com o projeto Monumenta, do governo federal. A obra de restauro será paga, segundo a assessoria da Secretaria Municipal de Infraestrutura, com recursos próprios da prefeitura e está estimada em R$ 3,7 milhões.

Cores 

De acordo com a arquiteta responsável pelo restauro, Ana Vivien Lopez Bautista, sete camadas de tintas diferentes foram retiradas pelos restauradores para encontrar a cor original do Paço. "É um bege claro por fora e há salas das mais diversas cores, como rosa, azul e amarelo, também encontradas depois de retiradas as camadas antigas", relata.

Ana Vivien conta que, além do Paço, está sendo restaurado o coreto em ferro na praça em frente, coberto por tapumes gigantes. O complexo do Paço também inclui a reforma e restauração de três casarões também do início do século passado, localizados nos fundos da antiga sede da prefeitura manauara.

Um deles, quase colado ao Paço, era a residência do presidente (governador) à época da construção do prédio principal, Constantino Nery (governou o Amazonas de 1904 a 1908), que hoje dá nome a uma das principais avenidas de Manaus.

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