Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Retrospectiva 2011: Abril foi marcado a sangue por ataque em Realengo

Além do massacre no Rio, mês teve aumento nos crimes de homofobia execução feita por PMs

estadao.com.br,

21 de dezembro de 2011 | 20h01

SÃO PAULO - Abril foi marcado por crimes de extrema crueldade no País: no Rio, um rapaz entrou armado na escola e atirou contra os alunos de uma sala, matando 12 crianças. Dias antes, à luz da manhã, policiais executaram um suspeito de roubo dentro de um cemitério em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e flagrado por uma moradora da região.

A manhã do dia 7 foi marcada por sangue de inocentes num dos ataques mais chocantes já ocorridos no País: o ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, subiu para o 1.º andar, invadiu uma sala e atirou, matando quatro estudantes. Em seguida, entrou na sala vizinha e fez mais disparos, matando outras oito crianças.

Policiais foram avisados por alunos que fugiram da escola ao escutar os tiros e encontraram Wellington descendo as escadas. O PM, então, atingiu a perna do atirador, que se suicidou em seguida. Outros 12 estudantes foram baleados, mas sobreviveram ao ataque. Ao todo, foram mais de 60 disparos em 15 minutos.

massacre em Realengo gerou comoção e a presidente Dilma decretou luto oficial. Até Bono Vox, vocalista da banda U2, e o Papa prestaram homenagens às vítimas. Medidas de segurança nas escolas foram alteradas e o governo antecipou a campanha pelo desarmamento.

Dias depois, uma série de vídeos encontrados na casa de Wellington mostraram que ele premeditou o crime, motivado pelo bullying que sofreu na época em que era estudante. A família, que não compareceu ao enterro, confirmou que o atirador sofria distúrbios psicológicos.

Execução em SP. Dois dias antes, uma testemunha viu a viatura da Polícia Militar chegar no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos, tirar o suspeito de dentro e atirar contra ela. Ao mesmo tempo, ligava para o 190 e denunciava os passos dos dois PMs, identificados posteriormente da 4.ª Companhia do 29.º Batalhão.

A mulher ainda teve coragem de confrontar os policiais enquanto eles saiam do cemitério. "O senhor que estava naquela viatura? O senhor que acertou o disparo ali? Foi o senhor que tirou a pessoa de dentro? Estava próximo de onde estávamos. Eu estou falando com a Polícia Militar".

Os PMs foram presos e aguardam julgamento. A Defensoria pediu indenização ao governo do Estado de R$ 1 milhão para os pais da vítima e ressarcimento pelos gastos com sepultamento e transporte do corpo.

Com isso, os casos de morte após resistência passaram a ser investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Antes, eram registrados em qualquer delegacia e, normalmente, não eram apuradas as circunstâncias da morte.

Esgoto em Niterói. Uma cena nunca imaginada ocorreu na Grande Rio: a parede de uma estação de tratamento de esgoto rompeu e os dejetos tomaram conta das ruas e casas de Ponta de Areia, em Niterói. Carros foram arrastados pela correnteza de lama por três quarteirões e sete pessoas tiveram ferimentos leves.

A Águas de Niterói, responsável pelo tratamento de esgoto, foi multada em R$ 110 mil por crime ambiental e as famílias afetadas deveriam ser indenizadas pelos prejuízos.

Homofobia. Foi neste mês que o Grupo Gay Bahia (GGB) divulgou que houve aumento no número de homicídios contra gays em todo o Brasil. Segundo o levantamento da entidade, o número de assassinatos causados por homofobia cresceu 31% entre 2009 e 2010. A região Nordeste foi onde houve o maior número de crimes contra a comunidade LGBT.

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