Tasso Marcelo/AE
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Retrospectiva 2011: Explosão em prédio no RJ e a ocupação da USP marcaram o mês de outubro

Causa provável para a explosão foi o vazamento de gás no interior do estabelecimento e alguma faísca gerada pelos funcionários do restaurante

estadão.com.br,

21 de dezembro de 2011 | 20h00

SÃO PAULO - A explosão em um prédio no centro do Rio e a ocupação da Universidade de São Paulo por estudantes marcaram o mês de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil, e também conhecido mês das crianças.

O mês abriu com uma notícia triste: 2011 bateu recorde no número de acidentes aéreos sem sequer chegar ao final. Ao todo, foram registrados 127 casos até o início de outubro - 17 a mais do que no ano de 2010 e o maior desde 2001, quando a série começou a ser registrada. O recorde anterior era de 2009, quando ocorreram 113 acidentes envolvendo aviões de grande e pequeno porte e helicópteros.

De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), na lista dos fatores que mais contribuíram para a ocorrência dos desastres aéreos lidera o julgamento de pilotagem, que seria a avaliação inadequada do que ocorre na aeronave por parte do piloto.

Explosão. Dias depois do relatório, mais uma tragédia no Rio: uma explosão no restaurante Filé Carioca, no centro da cidade, provocou a morte de quatro pessoas e deixou outras 16 feridas. A causa provável foi o vazamento de gás no interior do estabelecimento e alguma faísca gerada pelos primeiros funcionários que chegaram ao local.

A destruição atingiu até o 9º andar do Edifício Riqueza. De acordo com a perícia, o armazenamento de cilindros de gás era irregular e ilegal, já que na região a distribuição é feita por encanamentos. A força da explosão arremessou as vítimas a 35 metros de distância.

Dias após o acidente, foi constatado que o local funcionava com alvará provisório desde 2008 e sem laudo do Corpo de Bombeiros. O Ministério Público denunciou 10 pessoas por envolvimento no acidente: dois donos do restaurante, dois encarregados da companhia que forneceu gás para o estabelecimento, o síndico do edifício e cinco responsáveis pela autorização de funcionamento do local.

Ocupação. No fim do mês, alunos da USP ocuparam o prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) em protesto a ação da PM que deteve três estudantes que estavam com maconha numa manifestação dentro do campus. A ocupação, segundo os alunos, era para se manifestar contra a permanência da polícia na universidade e a gestão do reitor João Grandino Rodas.

A PM passou a ocupar o campus após um acordo com a administração da universidade para intensificar a segurança depois da morte de um estudante, em maio. No entanto, os estudantes passaram a reclamar das abordagens policiais, o que gerou os protestos.

Após uma semana de ocupação e uma acalorada assembleia, no dia 1º de novembro a maioria dos estudantes decidiu sair do prédio da FFLCH, mas uma parte mais radical invadiu o prédio da reitoria. Com isso, uma ação judicial determinou a reintegração de posse do local, mesmo com força policial. No dia 8, cerca de 400 PMs cumpriram a determinação judicial e detiveram mais de 70 estudantes que se recusaram a sair voluntariamente. Eles tiveram de pagar uma fiança de aproximadamente um salário mínimo.

Milícias. No fim do mês, o deputado estadual do Rio de Janeiro Marcelo Freixo (PSOL) deixou o Brasil após ameaças de milicianos. O parlamentar CPI das Milícias em 2008, que recebeu pelo menos sete ameaças de mortes em outubro, já colaborou no indiciamento de mais de 200 pessoas, entre políticos e policiais.

Ele ficou um mês na Europa, com a família, a convite da Anistia Internacional. Segundo o deputado, ele fez isso como maneira de chamar atenção ao problema enfrentando no Estado fluminense.

 

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